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Aniversário de Mursi no poder gera tensão no Egito

por AFP — publicado 29/06/2013 14h46, última modificação 29/06/2013 14h57
Após semana de protestos violentos, oposição convoca ato para pedir a renúncia do presidente islamita
AFP
Egito

Opositores ao presidente Mohamed Morsi protestam na cidade de Alexandria, em 28 de junho de 2013

CAIRO (AFP) - As manifestações da oposição programadas para domingo 30 no Egito, dia do primeiro aniversário da posse do islamita Mohamed Mursi na Presidência, são preparadas em clima de nervosismo, após distúrbios deixarem oito mortos durante a semana, incluindo um americano.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, manifestou neste sábado 29 preocupação com a situação no Egito e pediu a Mursi uma atuação "mais construtiva". Além disso, o Departamento de Estado recomendou a seus cidadãos que não viajem ao país em consequência da "instabilidade política e social".

A Irmandade Muçulmana, movimento de Mursi, advertiu a oposição que não permitirá um "golpe de Estado" contra o presidente, na véspera de um protesto que pretende exigir eleições antecipadas.

Apesar da mobilização policial e militar para proteger as instalações vitais, confrontos violentos foram registrados entre simpatizantes e adversários de Mursi em Alexandria, a segunda maior cidade do país, onde morreram um egípcio e um americano.

De acordo com o chefe do departamento de segurança de Alexandria, Amine Ezzedine, o jovem americano morreu quando fazia fotos em meio aos distúrbios. A morte do americano foi confirmada pelo porta-voz do Departamento de Estado, Patrick Ventrell.

A Universidade Kenyon de Ohio anunciou que os funcionários da embaixada dos EUA identificaram a vítima como um estudante do centro universitário, Andrew Pochter, de 21 anos, de Maryland.

Pochter trabalhava para a AMIDEAST, uma organização americana sem fins lucrativos."Pedimos a todas as partes que não se envolvam na violência, e à polícia e ao exército que apresentem mostras de moderação apropriada", afirmou Obama na África do Sul.

Obama também pediu a Mursi que inicie uma "conversação mais construtiva" para melhorar a situação do país.

Na praça Tahrir, no centro do Cairo, onde os opositores pedem uma "segunda revolução" - depois dos protestos que provocaram, em 2011, a queda do então presidente Hosni Mubarak, que permaneceu três décadas no poder -, dezenas de barracas foram instaladas e centenas de pessoas permaneciam reunidas.

Os organizadores da campanha Tamarrod (rebelião em árabe), que defende a renúncia do presidente, anunciaram neste sábado que o movimento conseguiu mais de 22 milhões de assinaturas para pedir eleição antecipada.

Também na região do Cairo, milhares de simpatizantes de partidos islamitas estavam reunidos nas imediações da mesquita Rabaa al-Adauiya de Nasr City, subúrbio d capital, para manifestar apoio a Mursi e pedir sua permanência no governo.

Os partidários alegam Mursi está limpando as instituições após décadas de corrupção, mas os críticos o acusam de concentrar o poder nas mãos da Irmandade Muçulmana e de ter desviado a revolução de 2011.

Após a queda de Mubarak em fevereiro de 2011, o exército assumiu o comando do país até a posse de Mursi, em 30 de junho de 2012.

A oposição convocou para domingo uma grande manifestação para exigir sua renúncia. Muitos comerciantes anunciaram que não abrirão seus estabelecimentos pelo temor da violência. Os moradores do Cairo formavam longas filas para sacar dinheiro e comprar alimentos.

O ministério da Defesa advertiu que o exército vai agir no caso de distúrbios.

Na quarta-feira, em um discurso exibido na televisão, Mursi alertou que as divisões ameaçam paralisar o país. "O Egito enfrenta muitos desafios. A polarização alcançou um nível que poderia ameaçar nossa experiência democrática e paralisar a nação", disse.

A Anistia Internacional pediu moderação às autoridades egípcias, levando em consideração "os antecedentes em termos de intervenção policial".

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