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Tensão deve marcar encontro do presidente Barack Obama com premiê israelense

por Redação Carta Capital — publicado 20/05/2011 16h25, última modificação 20/05/2011 16h30
Netanyahu criticou duramente o apoio do presidente a dois estados com fronteiras de 1967. Agora, ambos discutem como lidar com votação na ONU sobre o estado palestino

Um dia após o discurso em que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apoiou negociações de paz entre israelenses e palestinos que respeitem as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967, o mandatário norte-americano tem um encontro marcado com o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. É a sétima reunião desde que Obama assumiu a Casa Branca, a ser realizada nesta sexta-feira 20 em Washington. Desta vez, especialistas avaliam que será um marco de mudança na relação dos dois chefes de governo. Uma relação, conforme destaca o The New York Times, “que nunca foi calorosa”.

Logo após o discurso de Obama, o premiê israelense emitiu uma nota destacando que o recuo das atuais fronteiras do país é “indefensável”. O texto ainda diz que Netanyahu espera, no encontro com o presidente norte-americano, a reafirmação de compromissos assumidos pelos EUA com o Estado judeu em 2004, que “se referem a Israel não ter que se retrair às divisas de 1967, que deixariam grandes populações israelenses na Judeia e na Samária”.

A dura resposta de Israel pode ser um indício de que a reunião desta sexta-feira 20 será tensa, diz o jornal israelense Haaretz. Também é esperado um clima de desconfiança mútua. O The New York Times publicou, na quinta-feira 19, que Obama disse a assessores e aliados não acreditar que Natantahu esteja disposto a fazer qualquer tipo de concessão significativa que leve à um acordo de paz. Do outro lado, o mesmo jornal relata um telefonema à secretária de Estado, Hillary Clinton, horas antes do discurso, em que o primeiro ministro de Israel criticou duramente o apoio a um futuro Estado palestino cujas fronteiras sejam as mesmas anteriores às de 1967.

Reconhecimento pela ONU
Apesar das discordâncias, Obama e Natanyahu devem discutir na reunião como lidarão com a votação na Assembleia Geral da ONU pelo reconhecimento do Estado palestino, prevista para setembro. O premiê israelense quer que os EUA não apenas vetem a proposta no Conselho de Segurança, como também pressionem aliados europeus a fazer o mesmo. Permanece incerto, avalia o Times, o quão longe Obama pode atuar para alcançar o segundo objetivo. “Eu acho que o voto dos europeus é incerto, porque eles não enxergam uma estratégia de paz sendo trabalhada”, disse ao jornal David Makovsky, do Washington Institute for Near East Policy.

Apesar do discurso realizado na quinta-feira 19, nenhum dos dois países quer ver uma votação massiva das Nações Unidas pelo reconhecimento da Palestina, com o apoio dos países, o que isolaria os EUA e Israel, finaliza o jornal.

Tensões dentro de casa
A postura de Natanyahu diante do discurso do presidente dos EUA não encontrou apoio absoluto entre os israelenses. Em comentário a nota do premiê, a líder opositora Tzipi Livni, do partido Kadima, disse que “terminar o conflito com a adoção do princípio de dois Estados nacionais, que garanta a segurança de Israel, é do interesse dos israelenses”, revelou o Haaretz. Ela também afirmou que as políticas adotadas por Natanyahu em relação ao conflito Israel-Palestina não servem a esses interesses.

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