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Copa 2014

'Teixeira & Cia marcam gol contra'

por Gianni Carta publicado 05/10/2011 18h13, última modificação 06/10/2011 11h02
A Economist reproduz histórias manjadas por essas bandas. Grave, contudo, é a imagem ruim do Brasil lá fora

O Brasil não é somente o anfitrião da Copa de 2014, mas é também o dono da bola. Craques podem ser donos da bola, o que é positivo, mas no artigo publicado pelo semanário The Economist todas as associações do Brasil com a Copa que se aproxima são, sem exceção, negativas.

Na verdade, a publicação britânica diz que o Brasil se sente “proprietorial”, ou seja, dono do pedaço, mandachuva – e isso no sentido global. No entanto, a tradução mais apropriada parece ser mesmo "o Brasil se sente o dono da bola".

De saída, o fato de o Brasil ter vencido cinco edições do evento instilou nos brasileiros um sentimento de superioridade às outras equipes, e mesmo a outros povos, pelo menos no quesito futebol. E, claro, esse sentimento de superioridade embute variadas doses de arrogância.

O quadro do Brasil na Copa de 2014, pintado pela Economist, só piora.

Segundo a revista, Sepp Blatter, o sinistro e inconfiável presidente da FIFA, tem razão em estar preocupado com os preparativos em solo brasileiro para a Copa.

O sistema de transportes no País é péssimo, e apenas nove programas de reformas nessa área foram iniciados nas 49 cidades anfitriãs da Copa. Idem em relação aos aeroportos.

Segundo a Economist, a presidenta Dilma Rousseff disse para esta CartaCapital que as reformas do sistema urbano de transportes “não são essenciais para o sucesso do torneio”. (Aqui, vale ressaltar, o leitor da Economist ficará pasmo.)

A presidenta, sempre de acordo com a publicação britânica, parece ter obstáculos ainda mais sérios a transpor. Além de estar fazendo uma faxina no tablado político, tem de lidar com Ricardo Teixeira, Chefe do Comitê Organizador Local da Copa a e membro do Comitê da FIFA. Teixeira, conta a correspondente da Economist, é presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desde... 1989.

Os leitores da Economist têm outros motivos para ficarem ainda mais boquiabertos, se isso for possível. Cria de seu ex-sogro João Havelange, chefão da FIFA por cerca de 25 anos, Teixeira vem sendo investigado pelo Congresso por corrupção, desfalque, lavagem de dinheiro e evasão fiscal.

Por essas e outras, os leitores da Economist, são informados que Rousseff escolheu Pelé como embaixador honorário da Copa. A revista reproduz a seguinte frase da presidenta para CartaCapital: “Com todo o respeito pela CBF, o rosto da Copa no exterior será o de Pelé”.

A Economist, é óbvio, reproduz histórias manjadas por essas bandas. Grave, contudo, é o fato de que a imagem do Brasil, às vésperas da Copa, é muito ruim no exterior. De fato, o título do semanário global anuncia que o Senhor Futebol, isto é, Teixeira e Cia, estão a marcar gols contra.

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