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Taxação financeira não é consenso na União Europeia

por Redação Carta Capital — publicado 09/01/2012 12h41, última modificação 06/06/2015 18h57
Integrantes do bloco mostram-se incomodados com medida, proposta por Sarkozy e Merkel para reduzir especulação, caso não seja aplicada em todo o continente
sarkozy

Taxação proposta pelo presidente francês Nicolas Sarkozy foi criticada pelo mercado no país. Foto: Gonzalo Fuentes/AFP

O plano de aplicar uma taxa mínima sobre transações financeiras nos mercados da Europa para reduzir a especulação e, com isso, trazer mais estabilidade à região, ainda não conseguiu convencer os países do bloco.

Para buscar um acordo sobre a taxa, proposta em 1972 pelo economista americano James Tobin, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente francês Nicolas Sarkozy se reuniram nesta segunda-feira 9.

Sarkozy reiterou a determinação em agir sozinho para cobrar este imposto de transações financeiras internacionais, enquanto Merkel pretende buscar um compromisso em nível europeu. "Minha convicção é que, se não dermos exemplo, não será feito", disse Sarkozy em coletiva de imprensa com a chanceler.

Na França, a Associação Paris Europlace (APE), que representa os atores do mercado financeiro do país, se opôs no domingo 8 ao projeto. Em comunicado, a associação declarou que se as taxas não forem aplicadas em nível europeu “enfraquecerão a economia francesa" e provocarão uma transferência das atividades financeiras.

Para a APE, a adesão à taxa Tobin seria "inadequada", tendo em vista que a crise financeira mundial não começou na França, mas sim no mercado americano, com as chamadas "subprimes" e com os riscos tomados por grandes bancos de investimento anglo-saxões.

Um posicionamento rebatido pelo secretário de Estado da Habitação Benoist Apparu. "Não é porque os financistas dizem 'não queremos ser taxados' que vamos escutá-los", respondeu, acrescentando que apresentará o texto com a medida ao conselho de ministros "provavelmente em fevereiro".

A taxação também enfrenta oposição no Reino Unido, onde o primeiro-ministro David Cameron reiterou no domingo sua opinião contrária à taxa, a menos que esta seja decidida em nível mundial. "Uma taxa sobre as transações que só seja aplicada na Europa nos custaria empregos, nos privaria de receitas fiscais, seria nefasta para o continente e numerosos organismos financeiros quebrariam", advertiu em um programa de televisão da BBC.

O chefe do governo italiano, Mario Monti, também destacou que é "necessário que os diferentes países europeus não apliquem sozinhos" esta taxa. O premier disse estar disposto a trabalhar para a introdução da medida "em nível de União Europeia", mas não apenas em seu país.

Na reunião desta segunda-feira, Merkel acrescentou que pode-se "imaginar uma taxa a um nível da Zona do Euro" apenas, mas informou que esta opção não é apoiada por todo o seu governo.

Nas demais questões, o casal "Merkosy" mostrou estar de acordo sobre o que é preciso fazer para conter uma crise na região que se agrava, apesar das diferenças de tom quando se trata de hierarquizar os esforços de disciplina e de crescimento.

Para Sarkozy, a prioridade é fomentar o emprego, enquanto Merkel prefere falar de "segundo pilar", junto com a disciplina fiscal defendida por seu país.

Acordo

França e Alemanha desejam que o acordo europeu para reforçar a disciplina orçamentária, com o qual todos os países da UE, com exceção da Grã-Bretanha, se comprometeram no início de dezembro, seja assinado até 1º de março.

Merkel e Sarkozy estão de acordo em refletir sobre a forma de "acelerar a entrega de capital" do futuro mecanismo de ajuda europeia (MES), que deve estar operacional a partir deste ano, dada a atual situação, qualificada pelo presidente francês de "muito tensa".

Berlim, pela primeira vez de sua história emitiu nesta segunda-feira dívida com taxas negativas: os investidores estão dispostos a perder dinheiro sempre e quando puderem permanecer nos seguros cofres alemães.

Merkel e Sarkozy também reiteraram sua vontade de manter a Grécia na Zona do Euro, tendo como condição que o país realize as reformas prometidas. A chanceler considera necessária uma reestruturação da dívida grega, o que lhe permitirá reduzir em 50% a dívida em mãos privadas, mas garantiu que se trata de uma exceção.

*Atualizado às 16h40 de segunda-feira 9 para acréscimo de informações.

Com informações AFP.

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