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Internacional

Guerra no Mali

Soldados franceses e malinenses tomam o controle da cidade de Gao

por AFP — publicado 27/01/2013 09h31, última modificação 27/01/2013 09h31
A cidade do norte é reduto dos islamitas do Movimento para a Unidade e a Jihad na África Ocidental

Soldados franceses e malinenses tomaram no sábado 26 o controle de Gao, reduto islamita situado 1.200 km a nordeste de Bamaco, informaram fontes da segurança de Mali, onde um grupo rebelde propôs negociar a libertação de um refém francês.

Depois de ter reconquistado três localidades do centro e do oeste de Mali, os militares franceses e malinenses tentam reconquistar as zonas do norte do país ocupadas por grupos islamitas há mais de nove meses.

Em Gao, informou o ministério da Defesa francês, militares nigerianos e chadianos chegavam à zona para substituir as forças francesas.

As primeiras informações falavam da conquista do aeroporto da cidade e da ponte de Wabary.

Além disso, os jornalistas puderam entrar na cidade de Konna, reconquistada em 18 de janeiro passado. A imprensa viu carros destruídos, munições no chão e prédios crivados de balas.

Paralelo a isso, uma coluna de soldados e blindados chadianos, posicionada em Niamey, no Níger, partiu rumo a Ualam, perto da fronteira com o Mali, de onde, junto com soldados nigerianos, se dirigirão a Gao.

Gao, uma das principais cidades do norte do Mali, é o reduto dos islamitas do Movimento para a Unidade e a Jihad na África Ocidental (MUJAO).

    

O MUJAO anunciou neste sábado à AFP que está disposto a negociar a libertação do refém francês que mantém em seu poder há meses.

Foi o que informou Walid Abu Sarhaui, porta-voz do movimento, referindo-se ao francês Gilberto Rodriguez Leal, sequestrado em novembro de 2012 no oeste do Mali.

"Queremos negociar. Quanto à guerra entre muçulmanos, podemos nos entender", afirmou o porta-voz quando indagado se sua vontade de negociar estava relacionada com a situação na zona.

A grande maioria dos combatentes islamitas evacuou a cidade nos últimos dias para fugir dos ataques aéreos franceses contra "campos de treinamento, infraestruturas e depósitos logísticos", segundo uma fonte oficial francesa.

A tomada do aeroporto de Gao ilustra a vontade das forças malinenses e francesas de reconquistar o norte do Mali, depois de ter ocupado Diabali (oeste), Konna e Douentza (centro).

Na sexta-feira, as tropas francesas tomaram o controle de Hombori (norte de Bamaco), que se converteu na primeira cidade do norte do Mali reconquistada.

Neste sábado, uma coluna de soldados malinenses e franceses avançava para Timbuctu, a cidade símbolo do Islã na África.

As tropas francesas e malinenses avançam em meio a uma degradação da situação humanitária nas grandes cidades do norte.

A associação Ação Contra a Fome (ACF) dá conta de inúmeros casos de má nutrição infantil aguda.

A situação também é crítica em Timbuctu, onde não há eletricidade há três dias.

Por sua parte, os chefes do Estado-Maior dos países oeste-africanos se reuniram de emergência em Abidjan para desenvolver a Missão Internacional de Apoio ao Mali (MISMA).

A União Africana decidiu na sexta-feira aumentar os efetivos da força africana no Mali.

A Comunidade Econômica dos Estados da África do Oeste (CEDEAO) prevê enviar 4.000 homens às operações no Mali.

Mil homens desses efetivos já se encontram no Mali, para onde se dirigem outros 2.000 soldados do Chade, com muita experiência em guerra no deserto.

Por sua parte, o ministro francês da Defesa anunciou neste sábado, no 16º dia de intervenção militar contra os grupos islamitas armados no Mali, que 3.700 militares franceses estão mobilizados na Operação Serval, sendo que 2.500 já operam em território malinense.

 

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