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Egito

Situação piorou após discurso de Mubarak, diz professor da USP que está na capital do Egito

por Opera Mundi — publicado 03/02/2011 10h21, última modificação 03/02/2011 10h21
Durante o confronto iniciado na manhã desta quarta, paus, pedras, cavalos e até mesmo camelos foram usados pelos manifestantes e pelas milícias pró-governo. Do Opera Mundi

Por Thassio Borges*

O professor do departamento de línguas orientais da Universidade de São Paulo Mamede Mustafa Jarouche está no Cairo, capital do Egito, e relatou ao Opera Mundi a tensão da população da cidade diante das manifestações que pedem a queda do presidente Hosni Mubaraki, há 30 anos no poder.
Nesta quarta-feira 2, pelo menos uma pessoa morreu e mais de 600 ficaram feridas após os confrontos, segundo comunicado divulgado pelo Ministério da Saúde do país.

“A situação está tensa na cidade e é possível ouvir tiros de vez em quando”, disse Jarouche. “Os comitês populares estão vigiando cada quarteirão para impedir que os bandidos que a polícia do governo Mubarak soltou para aterrorizar a população invadam, prejudiquem ou matem alguém.” Jarouche referia-se a milicianos pró-Mubarak que, em trajes civis, enfrentaram os manifestantes que pedem o fim do regime.

Jarouche informou ainda ter sido alertado para que não deixasse o hotel em que está hospedado (que fica a dez minutos da praça Tahrir). Com isso, segue confinado, à espera de uma melhora da situação. “Eu estou sozinho e ontem esqueci de comprar comida. Estou com uma garrafa d’água aqui e o comércio está todo fechado”, completou.

Segundo Jarouche, o discurso de Mubarak na terça-feira 1º, piorou o clima da cidade. “A situação piorou muito, pois se esperava com muita expectativa e ansiedade pela renúncia. Era o mínimo que se esperava”, afirmou.

Durante o confronto iniciado na manhã desta quarta, paus, pedras, cavalos e até mesmo camelos foram usados pelos manifestantes e pelas milícias pró-governo. Jarouche revelou, inclusive, que um amigo havia sido surpreendido pelo avanço dos animais sobre as pessoas durante o ato.

O brasileiro, que faz parte do, analisou o significado de todo o movimento que ocorre hoje no Egito pela queda de Mubarak.

“Hoje se pede a renúncia do presidente, se pede que ele vá embora, que ele seja julgado por um Tribunal pelos crimes que cometeu. Isso nunca foi dito de uma maneira explícita, a plenos pulmões como está sendo feito hoje. Há um clima muito forte na rua de insatisfação”, completou o professor.

*Matéria publicada originalmente no Opera Mundi

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