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Síria tenta impedir ataque; EUA e França buscam apoio legislativo

por AFP — publicado 03/09/2013 08h24
O governo sírio pediu ao secretário-geral, Ban Ki-moon, que faça o possível para "impedir uma agressão"
Sam Skaine/AFP

Damasco pediu na segunda-feira 2 que a ONU impeça uma agressão contra a Síria, no momento em que Estados Unidos e França tentam convencer seus parlamentares da necessidade de um ataque contra o país, acusado de utilizar armas químicas.

O governo sírio, que permanece em alerta, apesar da perspectiva mais distante de uma ação militar iminente contra seu território, pediu ao secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon, que faça todo o possível para "impedir uma agressão contra a Síria".

"O governo sírio pede ao secretário-geral da ONU que assuma suas responsabilidades e multiplique os esforços para impedir qualquer agressão contra a Síria e avançar para uma solução política pacífica da crise", afirma o delegado permanente da Síria na ONU, Bashar al-Jaafari, em uma carta dirigida a Ban.

O governo francês anunciou que pretende apresentar nesta segunda-feira aos parlamentares documentos que permitem identificar a responsabilidade do regime sírio no ataque ataque químico de 21 de agosto perto de Damasco, dois dias antes de um debate no Parlamento sobre a eventual intervenção militar na Síria.

Uma fonte do governo disse que são "documentos secretos" que permitirão "identificar claramente" a responsabilidade do regime de Bashar al-Assad no ataque, que provocou centenas de mortes.

O governo da Rússia afirmou nesta segunda-feira que não está convencido em absoluto com as provas apresentadas pelos Estados Unidos e seus aliados sobre um suposto ataque químico do regime de Assad.

A três dias das reunião do G20 em São Petersburgo, a Rússia reiterou a oposição a qualquer ataque contra o aliado sírio.

O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, afirmou que um ataque americano contra a Síria poderia "adiar por muito tempo, inclusive para sempre", a organização de uma conferência de paz internacional.

Moscou enviou um barco militar de reconhecimento e vigilância eletrônica para a costas da Síria mo Mediterrâneo.

A China se declarou muito preocupada com eventuais ações militares unilaterais e voltou a defender uma solução política. O Irã voltou a criticar qualquer intervenção estrangeira na Síria.

A oposição síria acusa o regime de ter transferidos equipamentos e soldados para áreas residenciais e prédios civis do governo, além de ter instalado lança-foguetes e armas armas pesadas em bairros residenciais.

== O Congresso americano =

Barack Obama, que se declarou no sábado determinado a atacar a Síria, mas com o aval do Congresso, iniciou uma intensa campanha de lobby para tentar convencer os congressistas reticentes a dar o apoio à intervenção militar na Síria, informou uma fonte da Casa Branca.

Obama, o vice-presidente Joe Biden e o chefe de gabinete da presidência intensificaram as ligações para senadores e representantes, segundo a mesma fonte.

"Repetimos o mesmo argumento base: se nada for feito contra Assad, o impacto dissuasivo da legislação internacional contra o uso de armas químicas se verá debilitado e correremos o risco de que Assad e seus principais aliados - Hezbollah e Irã - também considerem que a flagrante violação das normas internacionais não têm nenhuma consequência", disse uma fonte da Casa Branca.

A Câmara de Representantes e o Senado, de férias até 9 de setembro, debaterão em separado a partir desta data a situação da Síria.

O secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou que Washington recebeu e analisou mostram que provam o uso de gás sarin no ataque de 21 de agosto, que atribuiu novamente ao regime de Damasco.

Uma nota do serviço de inteligência francês, citada pela imprensa, afirma que o regime sírio conta com "várias centenas de toneladas de iperita (gás mostarda)" e "gás sarin", uma reserva total de mais de 1.000 toneladas de agentes químicos.

No domingo, os chanceleres da Liga Árabe pediram a adoção das "medidas de dissuasão necessárias" contra o regime sírio.

Mas o bloco não citou a eventualidade de bombardeios estrangeiros contra a Síria, um sinal da profunda divisão dentro da instituição sobre a questão.

Nesta segunda-feira, o papa Francisco reiterou o apelo contra qualquer ataque na Síria.

"Guerra nunca mais, guerra nunca mais", escreveu o pontífice em sua conta no Twitter.

Pelo menos 42 pessoas morreram no domingo durante uma ofensiva das forças governamentais sírias contra posições rebeldes na cidade de Ruhaiba, ao nordeste de Damasco, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

 

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