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Síria acusa França de ser 'hostil'; prosseguem bombardeios em Damasco

por AFP — publicado 18/11/2012 15h31, última modificação 18/11/2012 15h31
Paris "quer falar em nome do povo sírio", acusou ministro, "como se quisesse voltar à época da ocupação"

DAMASCO (AFP) - O regime de Damasco classificou neste domingo como hostil a decisão da França de receber um embaixador da coalizão opositora síria, enquanto novos combates e bombardeios ocorriam no país, inclusive na capital.

Em Teerã, onde participa de um "diálogo nacional" entre o governo e movimentos de oposição aceitos pelo regime sírio, o ministro da Reconciliação Nacional de Bashar al-Assad, Ali Heydar, considerou que a França se comportava "como uma nação hostil".

A França "quer falar em nome do povo sírio", acusou Ali Heydar, "como se quisesse voltar à época da ocupação da Síria", referindo-se aos anos do protetorado francês sobre a Síria, entre 1920 e 1946.

A oposição reestruturada, que exige como condição inegociável para qualquer diálogo a saída prévia de Bashar al-Assad, e que, por isso, não participa da reunião de Teerã, foi recebida no sábado em Paris pelo presidente francês, François Hollande.

Dando garantias aos países ocidentais reticentes em reconhecê-la como futuro governo provisório e a armá-la, a coalizão nomeou um alauita, a minoria religiosa de Assad, como embaixador em Paris, e se comprometeu a incluir todos os componentes do país em seu governo.

Até agora, apenas as monarquias do Golfo, Turquia e França reconheceram a coalizão como único representante legítimo do povo sírio e preveem um eventual apoio em armas para os rebeldes.

Nesta linha, na segunda-feira em Bruxelas Paris deve defender perante seus sócios europeus a suspensão do embargo da UE sobre as armas destinadas à Síria.

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Ali Akbar Salehi, que há meses acusa certos países árabes e ocidentais de entregarem discretamente armas à rebelião, declarou que este apoio aumentará "a insegurança, o risco de terrorismo e a violência organizada" na região.

"Alguns (países) preveem entregar armas pesadas ou semipesadas à oposição. Na realidade, tentam legitimar oficialmente o que fazem em segredo", afirmou, denunciando uma "ingerência clara nos assuntos de um país independente".

O presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, pediu para que os palestinos sejam armados contra Israel, em vez dos sírios contra seu presidente.

Em terra, os bairros do sul de Damasco estavam sob o fogo da artilharia síria, enquanto violentos combates eram travados entre soldados e rebeldes em outros pontos do país, informou o opositor Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

No norte, vários setores de Aleppo e das localidades dos arredores eram palco de combates. A oeste da metrópole do norte da Síria, os rebeldes lançaram um novo ataque contra a "Base 46" do exército, sitiada há várias semanas, segundo o OSDH.

Nas Colinas de Golã, parcialmente ocupadas por Israel, o Estado hebreu anunciou mais uma vez ter disparado em direção ao território sírio para responder a tiros que atingiram um de seus veículos militares, sem deixar feridos.

Durante esta semana, na qual ocorreram muitos incidentes no Golã, os primeiros deste tipo em 40 anos, Israel apresentou uma demanda perante a ONU, que desmentiu ter autorizado o exército sírio a disparar contra os rebeldes no Golã, como Damasco havia afirmado.

No sábado, os episódios de violência deixaram 146 mortos no país, a metade deles civis, segundo o OSDH, que contabilizou mais de 39.000 mortos desde o início do conflito, há 20 meses.

 

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