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Silvio Berlusconi vai renunciar

por Redação Carta Capital — publicado 08/11/2011 17h32, última modificação 08/11/2011 18h34
Após passar orçamento com pequena vantagem na Câmara, premier se compromete a entregar cargo depois da aprovação de novas medidas anticrise

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, assumiu o compromisso de renunciar ao cargo após a aprovação de reformas econômicas-chave para o país escapar da crise que ameaça se espalhar pelo continente, informa nota divulgada nesta terça-feira 8 no site da Presidência da República italiana.

A decisão foi confirmada também pelo próprio premier, em entrevista a seu canal de televisão. "Após a aprovação dessa lei financeira, que tem emendas para tudo que a Europa nos pediu e que o Eurogrupo solicitou, eu vou renunciar, para permitir o chefe de Estado a abrir consultas", disse.

Berlusconi deixa o cargo após a votação na Câmara dos Deputados, que aprovou na terça o orçamento de 2010 com margem apertada. Foram apenas 308 votos, bem abaixo dos 316 necessários para uma maioria absoluta – que, num sistema parlamentarista, é praticamente a condição de existência de um primeiro-ministro. A oposição ao premier se absteve na votação.

Segundo o comunicado oficial, Berlusconi se reuniu com o presidente da República, Giorgio Napolitano, durante a noite. O premier “manifestou a sua consciência das implicações do resultado da votação de hoje na Câmara" e tem “expressa profunda preocupação com a necessidade urgente de dar respostas precisas às expectativas dos parceiros europeus com a aprovação da Lei de Estabilidade, devidamente alterada, à luz da mais recente contribuição de observações e propostas da Comissão Europeia.”

Após concluído este requisito, Berlusconi renunciará, mas o processo pode levar mais duas semanas para acontecer.

Pressão

Berlusconi vinha perdendo governabilidade nas últimas semanas, inclusive com a derrocada de deputados da Liga Norte, partido da base do governo Berlusconi. Nos últimos dias, três deputados abandonaram a legenda do premier, Povo da Liberdade (PDL), e se uniram à oposição centrista. Outros 20 manifestaram descontentamento com a atual situação do país, que soma um baixo índice de crescimento e uma dívida de 1,9 trilhão de euros.

Também na terça-feira, Umberto Bossi, chefe da Liga Norte, declarou antes da votação que mediria a força do governo. Após o resultado, Bossi foi categórico: “Pedimos que ele (Berlusconi) se afaste”, afirmou. Bossi disse também que o sua agremiação vai apoiar Angelino Alfano, o herdeiro político de Silvio Berlusconi, como novo chefe de governo.

Alfano, ex-ministro da Justiça do premier, é atualmente secretário-geral do PDL, e é hoje considerado por alguns observadores como um nome capaz de liderar uma eventual transição no país – que passaria a contar com o apoio da oposição centrista.

Berlusconi chegou a desmentir (inclusive por meio do Facebook) os boatos de renúncia antes da votação, chamando-os de “infundados”. Porém, os rumores de sua demissão fizeram a Bolsa de Milão disparar na segunda-feira 7, um indicativo de que os investidores viam com bons olhos a saída do premier. As principais bolsas europeias fecharam em alta nesta terça-feira.