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Internacional

Guerra da Bósnia

Sérvia extradita Mladic para Haia, onde será julgado por crimes contra humanidade

por Sul 21 — publicado 31/05/2011 19h13, última modificação 31/05/2011 19h13
O ex-comandante do Exército sérvio-bósnio, que teve o recurso negado pelo Tribunal de Crimes de Guerra em Belgrado, chegou na Holanda na tarde de terça-feira 31

Por Jorge Seadi*

Ratko Mladic chegou nesta terça-feira 31 a Haia, na Holanda, entregue pela Sérvia depois que o Tribunal de Crimes de Guerra em Belgrado rejeitou um recurso que contestava sua expulsão. O ex-comandante do Exército sérvio-bósnio será julgado pelo Tribunal Penal Internacional de Haia.

A ministra da Justiça da Sérvia, Snezana Malovic, foi quem assinou a ordem de extradição e logo depois Mladic foi levado para o aeroporto de Belgrado. Pouco antes das 15h (hora de Brasília) Ratko Mladic desceu em Roterdam. O governo sérvio ainda não tinha confirmado a entrega e Ratko já estava no avião para viajar. A ação foi rápida para evitar novos protestos dos partidários de Mladic. No domingo 29, milhares de pessoas protestaram contra a prisão de Mladic, afirmando que ele é um herói nacional. Eles também acusaram o presidente Boris Tadic de ser pró-ocidente por prender o ex-comandante militar.

O advogado de defesa de Mladic, Milos Saljic entrou com recurso no tribunal de Belgrado afirmando que Ratko está muito doente, “sem condições de enfrentar um julgamento”. Mas o tribunal não levou muito tempo analisando o pedido da defesa e na manhã desta terça-feira 31 aprovou a extradição para que o ex-comandante seja julgado pelo Tribunal Penal Internacional de Haia. Na cidade holandesa, Mladic será julgado por genocídio, entre outros crimes.

Mladic era um dos acusados de crimes de guerra mais procurados no mundo e foi preso na última quinta-feira 26 após passar 16 anos foragido. O filho de Mladic, Darko, afirma que seu pai nega ter participado do massacre de Srebrenica, em 1975, quando 7,5 mil homens e meninos muçulmanos foram mortos. Ocorrido durante a Guerra da Bósnia, o massacre foi o maior ocorrido na Europa depois da Segunda Guerra Mundial.

Antes de ser levado para a Holanda, Mladic visitou o túmulo de sua filha Ana que se suicidou aos 23 anos depois de, supostamente, ter um lido uma reportagem sobre os crimes que seu pai teria cometido. Na visita de 20 minutos, sob forte aparato de segurança, Mladic acendeu uma vela e colocou um buquê de flores no túmulo.

Com informações da BBC

*Publicado originalmente em Sul21.

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