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Senado dos EUA barra reforma na lei de venda de armas

por José Antonio Lima publicado 17/04/2013 19h47, última modificação 18/04/2013 16h32
Até mesmo as propostas mais brandas foram rejeitadas, um sinal claro da crescente força do lobby
Moms With Strollers Rally On Capitol Hill Against Gun Violence

Grupo de mães favoráveis a mais controle de armas durante visita ao Senado, nesta quarta-feira 17. A pressão sobre os congressistas não conteve a força do lobby pró-armas. Foto: Alex Wong / Getty Images / AFP

O massacre na escola primária Sandy Hook, em Newtown, em 14 de dezembro, quando um atirador matou 20 crianças e seis adultos, não foi suficiente para convencer o Senado dos Estados Unidos da necessidade de impor maior controle sobre a venda de armas. Na tarde desta quarta-feira 17, diversos projetos de lei que poderiam endurecer o comércio de armas foram derrubados, levando à estaca zero uma das principais causas do segundo mandato de Obama.

Estavam em votação nesta quarta diversos projetos diferentes. Cada um deles precisava de ao menos 60 votos para a tramitação avançar. Nenhum conseguiu chegar a essa marca. Entre as medidas derrotadas estavam o aumento das penas para compras de armas em nome de terceiros, derrotada por 58 votos a 42, e o banimento de inúmeros tipos de fuzis de assalto, que obteve apenas 40 votos favoráveis.

Causou enorme surpresa a não aprovação de uma emenda que ampliava as verificações sobre o passado dos compradores de armas, com foco em ficha criminal e condição psiquiátrica. A medida, apoiada por 90% dos norte-americanos, havia sido elaborada por dois senadores, um democrata e outro republicano, mas obteve apenas 54 votos, de quatro senadores republicanos. Quatro senadores democratas, do partido de Obama, votaram contra o texto. Parentes de vítimas de massacre, que acompanhavam a votação, mostraram indignação com a decisão. "Eles são uma vergonha para esse país, não têm compaixão com as pessoas que foram tiradas brutalmente de suas famílias", afirmou Patricia Maisch, sobrevivente de um massacre ocorrido em janeiro de 2011, no qual ela salvou diversas vidas ao fazer o atirador derrubar um cartucho de balas antes de recarregar a arma.

Em pronunciamento após a votação, Obama afirmou que o dia "era bastante vergonhoso" para Washington e atribuiu a derrota da emenda sobre a verificação de histórico às "mentiras" da NRA, a Associação Nacional do Rifle, entidade lobista em favor da venda de armas. Segundo Obama, a NRA espalhou o boato de que o projeto de lei abriria as portas para a criação de um registro nacional de donos de armas, o que poderia ferir o direito constitucional de portar armas dos norte-americanos. De acordo com a Casa Branca e com os senadores responsáveis pelo projeto, nada havia no texto que abrisse tal precedente.

Conforme citado , a NRA é uma entidade que vem se radicalizando ao longo dos anos e, assim, tornando o debate paranoico. A causa da NRA não se resume a proteger o direito de carregar armas, mas inclui rejeitar qualquer regra que possa ser imposta a ele. Por conta disso, hoje nos EUA é possível comprar rifles automáticos facilmente, pedir munição de forma anônima pela internet e obter armas em feiras especializadas sem precisar registrá-las. Em janeiro, Obama afirmou que o problema da venda de armas só seria remediado se a sociedade norte-americana passasse a entender o problema. Nesta quarta, ele repetiu o mesmo argumento. Obama tem razão, mas não se sabe quanto tempo vai levar até mudanças profundas ocorrerem.