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Internacional

Os EUA e a crise

Após queda de braço, Obama anuncia acordo

por Redação Carta Capital — publicado 01/08/2011 10h15, última modificação 06/06/2015 18h16
Após vai-e-vem de projetos no Congresso, o Senado volta a analisar nova proposta. Falta vencer restrições na Câmara, do republicano Boehner (foto). Foto: Jewel Samed/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou, no domingo 31, que representantes dos partidos democratas e republicanos chegaram a um acordo de última hora para elevar o teto de endividamento americana.

A proposta, que prevê um corte de cerca de 2,5 trilhões de dólares do déficit do país nos próximos dez anos, deve ser votada nesta segunda-feira pelo Senado. Obama lembrou, porém, que ainda existem “alguns assuntos muito importantes para serem considerados” pelo Congresso. Não há detalhes, entretanto, sobre em quanto o teto da dívida americana, que hoje equivale a 14,3 trilhões de dólares (cerca de 22,2 trilhões de reais), será aumentado. O mais provável é que o valor anunciado seja de cerca de 2 bilhões de dólares. Isso permitiria que o governo tome novos empréstimos e continue financiando sua dívida até, pelo menos, 2013.

Pelo pacote, os EUA economizariam, em contrapartida, cerca de 1 trilhão de dólares e cortaria outro 1,5 trilhão. Falta definir, no entanto, quais áreas serão afetadas pelo ajuste. De acordo com a agência Reuters, os mercados financeiros deram sinais de alívio pelo acordo ter sido obtido antes do prazo final de terça-feira, com um salto dos índices futuros de ações e do dólar no final do domingo.

O anúncio aconteceu no mesmo dia em que o Senado americano derrubou a proposta primeiramente elaborada pelos rivais democrata para elevar o limite de dívida do país. A manobra foi feita após representantes dos dois partidos anunciarem, na véspera, que estavam próximos de um acordo sobre o tema.

Para ser aprovada, a proposta deveria receber 60 votos. Teve, no entanto, 50 apoiadores, contra 49 que se posicionaram contra a medida – numa demonstração do impasse em que ficou a discussão.

Ainda de acordo com a agência Reuters, a primeira proposta, elaborada pelo senador democrata Harry Reid, previa um aumento no teto da dívida em 2,7 trilhões de dólares e promoveria cortes orçamentários de 2,2 trilhões de dólares. A ideia é evitar que o assunto seja discutido novamente num futuro próximo, o que poderia ser contaminado pelo clima das eleições presidenciais de 2012.

Já o plano dos republicanos, aprovado por 218 votos a 210 na Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados) e também derrubada no Senado, previa a elevação do teto da dívida dos EUA em 900 bilhões de dólares e cortes estimados em 917 bilhões de dólares. Para os democratas, a medida seria apenas paliativa.

Sem o acordo, os projetos vão e voltam pelo Legislativo americano desde sexta-feira. Desta vez, o pacote deve passar sem dificuldades pelo Senado nesta segunda-feira 1º, mas deve enfrentar resistências na Câmara de Representantes - é lá que os republicanos se mostram ainda insatisfeitos com o acordo anunciado por Obama.

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