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Internacional

Faixa de Gaza

Secretário-geral da ONU é atacado e boicotado

por AFP — publicado 02/02/2012 18h29, última modificação 02/02/2012 18h29
Ban Ki-moon estava na região para tentar retomar as negociações de paz entre Israel e Palestina, mas foi recebido com pedras após não se reunir com parentes de palestinos detidos pelos israelenses

O secretário-geral da ONU Ban Ki-moon foi recebido com pedras e sapatos e boicotado por representantes da sociedade civil nesta quinta-feira 2 na Faixa de Gaza. Ele estava no último dia de visitas para tentar a retomada das negociações de paz entre Israel e Palestina.

Em sua chegada à área, controlada pelos islamitas do Hamas, a comitiva de Moon foi alvo dos objetos lançados por manifestantes em protesto à decisão do secretário-geral em não se reunir com os parentes de palestinos detidos em Israel.

Os manifestantes também exibiram cartazes com a frase "Ban Ki-moon, chega de tomar partido de Israel".

"A atitude de Ban não é moral nem humana", declarou à AFP Abdallah Qandil, porta-voz das famílias dos prisioneiros.

"Nós recebemos uma resposta negativa e injustificável indicando a recusa do secretário-geral em encontrar os representantes das famílias dos prisioneiros de nossa delegação", afirmaram os representantes da sociedade civil, entre eles os militantes pelos direitos Humanos Iyad Sarraj e Raji Sourani, que cancelaram um café da manhã com Ban previsto para esta quinta.

"Nós esperávamos que ele demonstrasse preocupação com o sofrimento de mais de 5 mil palestinos nas prisões israelenses", disseram em comunicado. A nota lembrava ainda que Ban se reuniu várias vezes com os pais do soldado israelense Gilad Shalit, preso por mais de cinco anos em Gaza.

Em um comunicado, o chefe da ONU assegurou "sua preocupação com a situação dos prisioneiros palestinos".

Ban Ki-moon visitou uma escola dirigida pela UNRWA, Agência da ONU para Ajuda aos Refugiados da Palestina, a sede da organização e um projeto imobiliário financiado pelo Japão. "As pessoas da Faixa de Gaza precisam parar de atirar em Israel", disse em coletiva de imprensa.

O secretário-geral pediu que Israel alivie o bloqueio a Gaza, apelando para uma aprovação regular de projetos da ONU e a "abertura de pontos de passagem no território para a exportação".

Visitas

Moon visitou a Jordânia, Israel e territórios palestinos para estimular as duas partes a retomarem as conversações "exploratórias" iniciadas com a mediação da Jordânia e do Quarteto para o Oriente Médio (Estados Unidos, Rússia, União Europeia, ONU).

Segundo o jornal israelense Maariv, a ONU, os EUA e o Quarteto pressionam o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu a adotar "medidas que restabeleçam a confiança".

Na Cisjordânia, as medidas prevêem o reforço do papel da segurança palestina e projetos de construção em áreas controladas por Israel, aponta o jornal. Na Faixa de Gaza, os israelenses aliviariam o bloqueio autorizando a importação de grandes quantidades de materiais de construção para mil alojamentos e escolas.

De acordo com um documento consultado pela AFP, Tony Blair, representante do Quarteto para o Oriente Médio, propôs "medidas de confiança", parte delas aplicadas imediatamente e a outra em março. Também é proposto estender o campo de ação da polícia palestina na Cisjordânia e "liberar 5 mil vistos de trabalho em Israel para palestinos".

Paralelamente, o presidente palestino Mahmud Abbas recebeu o emissário americano para o Oriente Médio, David Hale, que escutou o ponto de vista palestino sobre as reuniões "exploratórias" em Amã, segundo um responsável.

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