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Escândalo

Secretário do Tesouro dos EUA diz que Strauss-Kahn deve deixar a direção do FMI

por Opera Mundi — publicado 18/05/2011 13h01, última modificação 18/05/2011 13h01
Timothy Geithner disse que não pode comentar mais a fundo sobre o caso, mas destacou que os 24 membros do Conselho do FMI podem designar alguém para assumir a liderança

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, disse que Dominique Strauss-Kahn "não está obviamente em condições de continuar" no comando do FMI (Fundo Monetário Internacional), após a sua prisão por acusações de abuso sexual contra uma camareira.

Geithner disse que não pode comentar mais a fundo sobre o caso, mas destacou que os 24 membros do Conselho do FMI podem formalmente designar alguém para assumir, de forma interina, a liderança, como John Lipsky, que tem atuado como diretor-gerente.

O secretário do Tesouro deu as declarações ao jornal Wall Street Journal. São os primeiros comentários de Geithner sobre a prisão de Strauss-Kahn no sábado passado, em um hotel de Nova York. "Estão acontecendo várias coisas em todo o mundo, e espera-se que o FMI tenha a capacidade de ajudar. E estou confiante que terá", disse.

DSK, como é conhecido em seu país, foi preso em Nova York no último final de semana, acusado de agressão sexual, cárcere privado e tentativa de estupro da camareira. Ele teve seu pedido de pagamento de fiança de US$ 1 milhão negado e, na segunda-feira, foi acusado de crimes sexuais por uma escritora francesa. Strauss-Kahn diz ser inocente.

Emergentes
A direção do órgão financeiro sempre foi assumida por representantes europeus. O colunista Paul Hannon, do WSJ, defendeu que um economista de um país emergente deve ser o próximo diretor do FMI.

"Os países da zona do euro precisam demonstrar que fizeram uma mudança fundamental na forma como se comportam, embarcando num caminho caracterizado pela adesão a regras estritas e o fim dos acertos políticos", diz o colunista. "Uma das melhores e mais públicas maneiras de fazer isso é abrir mão do seu injustificável direito de nomear o chefe do FMI."

Em seis décadas de existência do fundo, todos os presidentes foram europeus, de acordo com um acordo tácito segundo o qual a Europa nomeia o líder do FMI, enquanto os EUA indicam o próximo presidente do Banco Mundial.

Contudo, diante do escândalo sexual que envolve Strauss-Kahn, os países emergentes começam a pressionar para que o próximo líder do FMI espelhe a nova geografia da riqueza mundial, na qual países como China, Brasil, Índia e Rússia também são protagonistas.

* Matéria publicada originalmente no Opera Mundi.

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