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"Se o Brasil quiser trabalhar conosco, estamos aí", diz membro da Otan

por Simone Cunha e Vitor Sorano — publicado 20/11/2010 17h59, última modificação 30/11/2010 11h51
Cúpula que termina hoje teve parcerias como tema central
"Brasil mais próximo seria ótimo", diz membro da Otan

Cúpula que terminou neste sábado 20 teve parcerias como tema central. Por Simone Cunha e Vitor Sorano. Foto: Dominique Faget/AFP

Cúpula que termina hoje teve parcerias como tema central

Na cúpula em que ampliar parcerias é lema, a secretária-geral-adjunta da diplomacia pública da Otan, Stefanie Babst, elogia a chance de acordos com o Brasil, desde que o país tome a iniciativa. "Se o Brasil expressar ou desenvolver um interesse em se tornar mais próximo da Otan, seria muito, muito interessante para nós", diz à CartaCapital.

Portugal, sede da cúpula e membro-fundador da aliança, promove a aproximação. Embora não tenha conseguido incluir o Atlântico Sul na nova estratégia da Otan - aprovada ontem - deve continuar levar atenção para a região.

"A facilidade de comunicação histórica, geográfica e contemporânea que temos com o Sul, seja norte da África, África Subsaariana, América Latina pode constituir um valor que Portugal pode acrescentar à Otan" disse o ministro da Defesa Augusto Silva Santos, questionado sobre o tema.

Depois de ter ouvido críticas de Nelson Jobim à estratégia, Silva Santos ressaltou o carácter cooperativo da sugestão. "Olhar para os problemas da segurança global também com o sul, não se trata de olhar para o sul", disse, tomando emprestado a troca do "para" pelo "com" que Jobim havia usado ao atacar a ideia.

"Se a pergunta é vão continuar a lutar pelo Brasil, a resposta é sim", disse o primeiro-ministro português, José Sócrates, quando perguntado se Portugal, membro-fundador da aliança, advogaria em favor de uma parceria Brasil-Otan.

Para Carlos Gaspar, presidente do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI), é questão de tempo para a que os dois lados "sintam a necessidade de institucionalizar um diálogo". Para o responsável pela cadeira Mercosul da Sciences Po de Paris, Alfredo Valladão, "a Otan está precisando de aliados, então o Brasil vai ter que, a um momento qualquer, ver de que maneira jogar de forma boa."

A nova estratégia da Otan expressa preocupação com segurança energética e linhas de abastecimento. Segundo Babst, isso refere-se a outras regiões do mundo, como o Leste Europeu, e não ao Atlântico Sul - perímetro que vem ganhando importância como reserva petrolífera e caminho comecial marítimo.

"Sempre uma discussão sobre linhas de abastecimento, capacidades, infra-estrutura no Leste, a região do Mar Negro, do Cáucaso."

Rússia, afeganistão e escudo anti-mísseis - No segundo dia do encontro, Rússia e Otan selaram cooperação depois de um esfriamento das relações causado pela Guerra na Geórgia, em 2008. Também foi acordada a construção de um escudo antimíssil transatlântico.

Um calendário de saída do Afeganistão, de 2011 a 2014, foi definido. Entretanto, um acordo selado com o governo do país permitirá a permanência de efetivos de treinamento da aliança no território para além desse limite.

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