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Sarkozy propõe bombardeios aéreos a alvos líbios selecionados

por Wálter Maierovitch publicado 10/03/2011 17h14, última modificação 10/03/2011 17h24
França reconhece governo líbio de transição e prepara abertura de embaixada em Bengazi. Publicado originalmente no Terra Magazine

1. O presidente Nicolas Sarkozy vai se apresentar amanhã em Bruxelas, na reunião do vértice de União Européia (EU), com um projeto já considerado polêmico.

Sarkozy apresentará aos seus parceiros de UE um projeto voltado (1) ao bombardeamento aéreo de alvos anteriormente selecionados e (2) à codificação (grampo) dos sistemas de transmissão sob comando de Muammar Kadafi. A execução ficaria a cargo das forças da Otan.

Em Paris, Sarkozy acabou de receber os representantes do “Conselho de Transição” da Líbia e afirmou que a França reconhece esse órgão como de governo provisório e, também, como legítimo representante do povo da Líbia.

Num segundo momento e para impactar, Sarkozy lançou o dardo mais adiante. Isto ao anunciar que prepara a abertura da embaixada da França na cidade de Bengazi, onde começou a revolta e que fica localizada na antiga região da Cirenaica: de 1943 a 1951 um consórcio formado por França e Grã-Bretanha administrou a região. Em 1951 ocorreu a independência e se iniciou o reinado de Nohamed Idris al Senussi. O golpe militar liderado pelo capitão Kadafi deu-se em 1969.

Sobre alvos adrede selecionados, Kadafi guarda uma triste experiência. Em 5 de abril de 1986, um ataque terrorista à discoteca La Belle de Berlim matou dois soldados norte-americanos e uma mulher turca. Nesse ataque saíram feridos 229 frequentadores da discoteca, incluídos 50 militares dos EUA.

Os terroristas, - segundo os 007 da CIA informaram ao então presidente Ronal Reagan -, estavam a soldo e a mando do ditador líbio Muammar Kadafi.

Um secreto ataque aéreo com alvo certo, - residência de Kadafi em Trípoli -, foi preparado e realizado por ordem de Reagan. Uma filha adotiva de Kadafi morreu na casa. Ela tinha 16 anos de idade

Kadafi foi avisado segundos antes do ataque e deixou o local. O segredo acabou revelado a Kadafi. O traidor foi o então premier italiano Bettino Craxi, como se soube no final de 2010. A Itália, com negócios na ex-colônia (ocupou por 30 anos e a partir de 1911 as regiões da Tripolândia, Cirenaica e Fezzan) preferia a manutenção de Kadafi a um indefinido sucessor, com
risco de rompimento de relações e negócios

Depois disso, Kadafi, - que usa os escombros da casa bombardeada como cenário em entrevistas internacionais--, preparou duas represálias contra os EUA. Mandou disparar um torpedo na ilha de Lampedusa (Sicília-Itália), onde os EUA mantinham uma base-militar. Em 21 de dezembro de 1988, na Escócia e nos céus de Lockerbie, houve a explosão do avião da PanAm (vôo 103), com 270 vítimas fatais: 189 eram cidadãos norte-americanos.

Com o fim da “guerra-fria” e pesados embargos econômicos, Kadafi reaproximou-se do Ocidente. Os embargos europeus acabaram levantados e os “fundos líbios soberanos”, ligados ao Banco Central da Líbia, irrigaram as finanças ocidentais. Beneficiara-se empresas do porte da Fiat, Xerox, Shell, Siemens, Móbil, etc. Hoje, na Europa, os investimentos líbios, pelos fundos soberanos, estão estimados em 340 bilhões de dólares.

2. Os negociadores enviados por Kadafi à Europa não estão obtendo sucesso.

O ministro de relações Exteriores de Portugal, Luis Amado, foi curto e grosso com os representantes do rais líbio: “ Terminou a sua legitimidade aos olhos da comunidade internacional”.

Publicado originalmente no Terra Magazine

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