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Sarkozy ordena desbloqueio de depósitos de combustível

por Opera Mundi — publicado 20/10/2010 10h35, última modificação 20/10/2010 10h35
País enfrenta sétima jornada de paralisações pela reforma da previdência. Governo garante que o abastecimento será normalizado nos próximos dias

País enfrenta sétima jornada de paralisações pela reforma da previdência. Governo garante que levará medidas até o fim

Um dia após a França viver sua sexta jornada de protestos contra a reforma da aposentadoria, com 277 manifestações no país, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse nesta quarta-feira (20/10) que ordenou o desbloqueio de todos os depósitos de combustíveis, ocupados como parte das paralisações no setor de refinaria e afirmou que levará até o fim sua reforma do sistema previdenciário.

“Ontem dei instruções para desbloquear todos os depósitos de combustível como o objetivo de restabelecer o mais rápido possível uma situação normal”, disse o presidente em um comunicado oficial citado pela agência France Press.

Na madrugada, o governo mobilizou a polícia para liberar o acesso a depósitos de combustíveis. A justificativa é que "a desordem provocada pelas interrupções causa inúmeras injustiças", em primeiro lugar com "a maioria dos franceses que querem ir ao trabalho e circular livremente" e porque poderia "ter consequência no emprego" ao perturbar a atividade econômica. Segundo o ministro do Interior, Brice Hortefeux, três depósitos já foram liberados.

Além de ordenar o fim do bloqueio, o governo está recorrendo às reservas de combustível, e o primeiro-ministro François Fillon afirma que o abastecimento deve ser normalizado nos próximos dias.

"Levarei a reforma da previdência porque meu dever como chefe do Estado é garantir aos franceses que eles e seus filhos poderão contar com aposentadoria", afirmou Sarkozy em uma declaração feita durante o Conselho de Ministros semanal.

Por conta dos protestos, a votação do projeto da aposentadoria no Senado, que estava marcada para hoje, foi adiada para amanhã à noite.

A 18 meses dos fim do mandato, uma pesquisa do BVA-Orange-L"Express-France Inter, divulgada ontem, mostrou que 69% avaliam negativamente o governo Sarkozy e 30% avaliam positivamente. São os níveis mais baixos desde que assumiu o cargo em maio de 2007.

Repúdio à reforma
Há sete dias os franceses protestam contra projeto que muda a idade mínima para aposentadoria de 60 para 62 anos e o direito à pensão completa dos 65 para os 67. Esta é a sétima greve geral em um mês e meio e a adesão foi grande: 3,5 milhões de pessoas foram às ruas em 266 lugares do país segundo os sindicatos. Em Paris, onde a concentração foi maior, havia entre 70 e 100 mil manifestantes, segundo reportagem do jornal Le Monde.

Como parte das manifestações, há uma paralisação geral de serviços como coleta de lixo, transportes, educação, além das 12 refinarias francesas, que estavam ocupadas pelas barricadas, dificultando o funcionamento de outras áreas, como serviços públicos, hotéis e restaurantes. Segundo o jornal L"Express, quase um terço dos 12,5 mil postos de gasolina esperavam reabastecimento ontem. Em seu site, o Le Monde informou que a edição impressão não circulará hoje, pois não pôde ser impresso devido à greve.

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