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Sandy deixa mais de 40 mortos e provoca US$ 20 bilhões de prejuízos, segundo estimativa

por AFP — publicado 31/10/2012 09h52, última modificação 31/10/2012 10h24
Barack Obama decretou estado de emergência no estado de NY e reuniu seu comitê de crise para coordenar plano de resposta ao furacão e auxiliar vítimas
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Bombeiros observam área devastada em Breezy Point, Queens, por incêndios e inundações. Foto: ©AFP / Stan Honda

NOVA YORK (AFP) A passagem do furacão Sandy pela costa leste dos Estados Unidos deixou um balanço devastador: pelo menos 43 mortos, oito milhões de casas sem eletricidade e a cidade de Nova York paralisada. Ainda na terça-feira 30, a costa leste americana lutava para se recuperar da monstruosa tempestade.

O presidente Barack Obama cancelou todos os eventos previstos para esta quarta-feira 31 e reuniu seu comitê de crise, uma semana antes das eleições, para ficar em Washington e coordenar a resposta ao furacão, disse seu porta-voz.

Obama foi informado "durante toda a noite" da evolução de Sandy e esteve em contato com autoridades de Nova York e Nova Jersey, dois dos estados mais afetados pela tempestade, segundo um funcionário da Casa Branca.

"Esta tempestade ainda não terminou", alertou o presidente durante visita à sede da Cruz Vermelha em Washington, assegurando que as pessoas que foram afetadas pelo ciclone devem saber que "os Estados Unidos estão com elas". Na quarta-feira, o chefe de Estado viajará a Nova Jersey, o estado mais afetado por Sandy.

Connecticut, Nova York, Nova Jersey, Maryland, Pensilvância, Carolina do Norte, Virgínia e Virgínia ocidental reportaram mortes relacionadas com a passagem de Sandy, enquanto em Toronto, no Canadá, a polícia informou que uma mulher morreu atingida por um objeto arrastado pela tempestade. Somente em Nova York foram registradas 23 vítimas fatais, anunciou o governador do estado, o republicano Andrew Cuomo.

Estas vítimas se somam aos 67 mortos deixados por Sandy em sua passagem pelo Caribe.

Prejuízos
Os devastadores danos materiais da tempestade, que tocou a terra na noite de segunda-feira 29 em Atlantic City (Nova Jersey) como ciclone extratropical e com ventos de até 150 km/hora, começaram a ser mensurados.

A supertempestade castigou a densamente povoada região leste dos Estados Unidos, inundando boa parte das áreas baixas de Manhattan, paralisando o transporte público em muitas cidades e deixando sem eletricidade milhões de pessoas.

Na terça-feira, mais de oito milhões de residências estavam sem eletricidade em 18 estados do noroeste dos Estados Unidos e na capital, Washington, anunciou o Departamento de Energia. O estado mais afetado era Nova Jersey, com 2,5 milhões de lares sem energia elétrica.

Nova York lutava para superar os danos provocados por Sandy, que obrigará a cidade a passar vários dias sem seu vital serviço de metrô e sem eletricidade em dezenas de milhares de lares. Até o momento, todo o serviço de transporte público nova-iorquino está suspenso desde a noite de domingo 28, antes da chegada do furacão, paralisando uma cidade de 8,2 milhões de habitantes.

Segundo o prefeito Michael Bloomberg, esta tempestade foi "talvez a pior" experimentada por Nova York em sua história e provocou "extensos danos que não serão reparados da noite para o dia", entre eles 80 casas queimadas em um único incêndio. Após acordar como cidade fantasma, Nova York recuperou parte de sua atividade com o passar das horas, com um tráfego fluindo e mais lojas abertas no centro de Manhattan, constatou a AFP.

A parte mais afetada era o sul de Manhattan, a partir da rua 40, onde umas 20 mil residências estavam seu eletricidade, uma situação que deve se manter por vários dias.

Bloomberg disse nesta terça-feira 30 que levará tempo para que o metrô volte a funcionar, já que a água do mar entrou nos corredores e túneis, superando em alguns locais o nível das plataformas.

Mostrando sinais de recuperação, a prefeitura reabriu três pontes nova-iorquinas que ligam Manhattan ao Brooklyn (sudeste) na manhã desta terça-feira. A bolsa de Nova York, fechada desde a segunda-feira, retomará suas atividades na quarta. Mas as escolas continuarão fechadas.

O furacão também causou o cancelamento de 18.100 voos com origem e destino na costa leste dos Estados Unidos, reportou o site especializado Flightaware.com.

A maior parte dos aeroportos que atendem a cidade de Nova York, sobretudo JFK, La Guardia e Newark, permanecia fechada na terça-feira. Na quarta-feira, o JFK deve ser reaberto, mas nada se sabia sobre La Guardia e Newark ao anoitecer desta terça.

O tradicional desfile de Halloween pelas ruas de Manhattan, que estava previsto para a quarta-feira, foi cancelado, informou à AFP a polícia de Nova York. Esta é a primeira suspensão do desfile em 39 anos de história, segundo o site oficial do evento, Halloween-nyc.com.

Obama decretou estado de emergência em todo o estado de Nova York, o que permitirá o acesso a recursos federais para os atingidos em vários condados, informou a Casa Branca. Nova Jersey também foi declarada em estado de catástrofe. A empresa de avaliação de desastres Eqecat destacou que Sandy poderia afetar 60 milhões de americanos e provocar danos superiores a 20 bilhões de dólares.

Energia
Como consequência da tempestade, três reatores nucleares foram desligados - dois em Nova Jersey e um no estado de Nova York. Os reatores foram colocados fora de serviço devido a problemas de circulação de água e da rede elétrica externa e não apresentavam riscos de segurança, segundo as empresas que os administram. Também em Nova Jersey, as águas romperam um dique e ameaçavam três povoados do condado de Bergen, a poucos quilômetros de Nova York, informou a polícia.

Segundo serviços de meteorologia, a extensão da tempestade e a confluência de uma frente fria procedente do Canadá foram os fatores que tornaram Sandy tão devastadora.

O Centro Nacional de Furacões (CNF), sediado em Miami, informou que foram mantidos os alertas de inundações e chuvas para a metade da costa atlântica e que Sandy levará fortes nevascas em seu deslocamento para o interior do continente, embora seus ventos se amenizem.

Tanto Obama quanto seu adversário republicano, Mitt Romney, são conscientes da importância de dar toda a atenção ao furacão para evitar um desgaste de imagem como o sofrido pelo presidente George W. Bush em 2005 devido à frágil resposta que as autoridades deram à chegada do furacão Katrina que devastou Nova Orleans.

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