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Internacional

Londres 2012

Sabá tira o presidente de Israel Shimon Peres da abertura dos Jogos Olímpicos

por Redação Carta Capital — publicado 11/07/2012 10h28, última modificação 06/06/2015 18h19
Abertura da Olimpíada termina no início do dia de descanso do judaísmo; sem poder ir embora de carro ou dormir na vila olímpica, presidente israelense cancela presença no evento
shimon peres

Apesar de não ser um religioso praticante, Shimon Peres não vai à abertura dos Jogos Olímpicos para não desrespeitar os adeptos do Sabá. Foto: Andreas Lazarou/AFP

Após meses negociando sua ida à abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, que começam no próximo dia 27, o presidente de Israel, Shimon Peres, cancelou sua passagem pela capital britânica para o evento. O motivo: o Sabá (ou Shabat), ritual religioso judaico. As informações são do jornal Haaretz, de Tel Aviv.

Apesar de não ser um praticante ferrenho do judaísmo, Peres calculou ser alto o risco político de aparecer na mídia em evento "pagão" no momento em que muitos israelenses reservam para a reza. "A cerimônia se celebra na sexta-feira e, como não há hoteis próximos ao estádio para ir a pé, o presidente decidiu cancelar a viagem e evitar a profanação do Sabá", diz um comunicado oficial do governo de Israel.

O Sabá é o dia reservado pelos fiéis do judaísmo para o descanso semanal. Normalmente tem início ao pôr-do-sol da sexta-feira até o pôr-do-sol do sábado. Nesta data, os mais religiosos seguem as 39 proibições interpretadas da Torá, o livro sagrado dos judeus. Como a cerimônia de início da Olimpíada ocorre ainda durante o dia mas se encerra já de noite, o estafe de Peres passou a estudar maneiras de transportá-lo de volta de outra maneira que não de carro, o que infringiria os costumes da religião.

Shimon Peres tentou, em vão, passar ao menos a primeira noite da cerimônia na Vila Olímpica, próximo dos atletas israelenses, o que o faria caminhar do estádio Olímpico até o alojamento durante a volta. O Comitê Olímpico Israelense e o próprio Shimon Peres enviaram mensagens para o organizador oficial dos Jogos, Sebastian Coe, mas sem sucesso. Coe alegou que a exceção ao político israelense causaria transtornos às regras de segurança da vila olímpica.

Ao entrar em contato com o estafe do presidente, o Haaretz ouviu que o "presidente não está acima de ninguém e se as regras dizem que só os atletas podem dormir na vila olímpica, nós (Peres e sua equipe) respeitaremos".