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Russos vão às ruas contra supostas fraudes eleitorais

por AFP — publicado 24/12/2011 15h31, última modificação 24/12/2011 15h34
Cerca de 120 mil pessoas, segundo movimento de contestação, protestaram em Moscou neste sábado 24; ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev pede a saída de Putin
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Cerca de 120 mil pessoas, segundo movimento de contestação, protestaram em Moscou no sábado 24 contra resultado das eleições. Foto: Yuri Kadobnov/AFP

MOSCOU (AFP) - Dezenas de milhares de pessoas protestavam em Moscou neste sábado 24 contra a vitória do partido de Vladimir Putin nas eleições legislativas de 4 de dezembro, que a oposição considera fraudulentas.

O movimento de contestação assegurou que pelo menos 120 mil pessoas foram às ruas da capital, enquanto a polícia confirmou a participação de apenas 28 mil manifestantes.

Em 10 de dezembro, data do primeiro protesto, a polícia calculou em 25 mil o número de manifestantes, enquanto os meios de comunicação e a oposição mencionaram mais de 50 mil pessoas.

A movimentação popular e as suspeitas de fraude nas eleições levaram o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev a pedir neste sábado que Vladimir Putin deixe o poder imediatamente. "Eu aconselharei Vladimir Vladimirovitch (Putin) a partir agora", disse à rádio Eco, de Moscou.

Na avenida Sakharov, centro de Moscou, capaz de abrigar até 60 mil pessoas, observava-se uma circulação constante durante o dia.

Um dos líderes do movimento de protesto, Alexei Navalny, prometeu um número maior de participantes no próximo protesto a ser realizado contra o regime de Vladimir Putin, ainda sem data prevista. "Na próxima vez, conseguiremos mobilizar um milhão de pessoas nas ruas de Moscou", afirmou o popular blogueiro anticorrupção, libertado após 15 dias de detenção por ter participado de um protesto proibido, no dia seguinte às eleições.

A oposição conseguiu o apoio de personalidades de destaque da sociedade russa desde escritores, músicos, jornalistas e políticos ao famoso jogador de xadrez Garry Kasparov, que estava na avenida Sakharov. Em meio aos manifestantes, também encontrava-se o ex-ministro da Economia Alexei Kudrin, que reivindicou "legislativas antecipadas" e denunciou a "falsificação dos resultados" das eleições, vencidas pelo partido Rússia Unida com 50% dos votos.

"É preciso uma plataforma de diálogo porque, caso o contrário, haverá uma revolução e perderemos a oportunidade que temos à nossa frente para (alcançar) uma mudança pacífica", afirmou Kudrin, a quem Putin descreveu na semana passada como "um amigo".

Os manifestantes exibiam cartazes denunciando o executivo central junto a balões brancos - cor do movimento de protesto -, e cantavam palavras de ordem como "o poder do povo" e "Rússia sem Putin".

"Entendemos que podemos nos mobilizar. É impossível deter uma multidão como esta", afirmou o manifestante Andrei Lujin, de 32 anos, simpatizante do partido de oposição.

Este movimento opositor sem precedentes desde a chegada ao poder de Vladimir Putin no ano 2000 se organizou pela internet, mobilizando tanto partidos nacionalistas de extrema esquerda, liberais, associações, ONG e celebridades do mundo da cultura e da TV do país.

Os opositores receberam, no sábado, o apoio do Conselho Consultivo para os Direitos Humanos no Kremlin, que criticou duramente a fraude nas eleições de 4 de dezembro.

O Conselho destacou, em um comunicado, que é "necessário adotar uma nova legislação eleitoral com o objetivo de organizar nesta base eleições legislativas antecipadas", devido às "falsificações".

A onda de descontentamento que varre a Rússia coincide com o propósito de Putin de tentar voltar à Presidência, cargo que deixou em 2008.

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