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Síria

Rússia resiste a proposta ocidental na ONU

por AFP — publicado 01/02/2012 10h07, última modificação 06/06/2015 18h21
Chanceler russo acredita que resolução da ONU poderia "abrir o caminho para uma guerra civil" na Síria e negou-se a dar apoio à investida liderada pelos Estados Unidos
Hillary Clinton

A secretária de Estado americano, Hillary Clinton (D), discursa, ao lado do chanceler britânico, William Hague. Foto: ©AFP/Getty Images / Mario Tama

NOVA YORK (AFP) - As potências ocidentais e a Liga Árabe pediram nesta terça-feira 31 uma ação imediata da ONU para deter a "máquina mortífera" do governante sírio Bashar al Assad, mas a Rússia, que tem direito a veto no Conselho de Segurança, negou-se a dar seu apoio.

A discussão na ONU ocorreu enquanto se registra um forte aumento da violência entre as forças de segurança de Assad e os rebeldes, com ativistas afirmando que mais de 5.400 pessoas morreram em 10 meses de revolta da oposição.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, liderou a investida ocidental na reunião em Nova York, apoiada pela liderança da Liga Árabe e pelos chanceleres britânico e francês.

"Todos sabemos que a mudança está chegando na Síria. Apesar das táticas implacáveis, o reino do terror do regime de Assad acabará e o povo da Síria terá a possibilidade de escolher seu próprio destino", disse Hillary.

"A pergunta que nos fazemos é quantos civis inocentes morrerão antes de que o país seja capaz de avançar para o tipo de futuro que merece", completou.

Paralelamente, o chanceler francês, Alain Juppé, exortou o Conselho de Segurança a sair de seu "silêncio escandaloso" frente à situação, apesar de considerar que existia "uma chance" de fechar um projeto de resolução sobre a Síria nos próximos dias.

"Do que escutei, tenho a ideia de que não é completamente impossível que exista uma chance de que nos próximos dias se produza uma aproximação dos diversos pontos de vista", declarou o chanceler durante coletiva de imprensa.

O primeiro-ministro do Qatar, Hamed ben Jassem al-Thani, falou em nome da Liga Árabe para pedir que a ONU detivesse a "máquina mortífera" de Al-Assad.

O projeto de resolução da ONU, fechado pelas potências ocidentais e pela Liga Árabe, busca fazer Assad entregar o poder e acabar com a repressão que deixou mais de 5.400 mortos nos últimos dez meses, segundo grupos de defesa dos direitos humanos.

Mas a Rússia, aliada da Síria e com direito de veto no Conselho de Segurança, reiterou sua oposição e afirmou que a ONU não deve se intrometer no conflito "interno" sírio.

"Possivelmente há uma última possibilidade de romper a espiral da violência que arrasa a Síria e seu povo", afirmou Vitaly Churkin, completando que o Conselho de Segurança da ONU "não pode impor parâmetros para um acordo interno. Simplesmente não tem o mandato para fazê-lo".

Anteriormente, o chanceler russo, Sergei Lavrov, afirmou que "mudar de regime" não é a "profissão" de seu país, e seu vice-ministro Guennadi Gatilov advertiu que o projeto de resolução da ONU poderia "abrir o caminho para uma guerra civil".

O regime de Assad aumentou a repressão, para tentar asfixiar rapidamente os opositores, numa aparente tentativa de aproveitar o apoio da Rússia e as divisões nas Nações Unidas.

O embaixador sírio na ONU, Bashar Jaafari, afirmou nesta terça-feira diante do Conselho de Segurança que seu país "se manterá firme para enfrentar seus inimigos".

Rússia e China - que acusaram os países ocidentais de abusar dos mandatos da ONU em sua intervenção na Líbia - vetaram em outubro um rascunho de resolução de condenação ao governo sírio.

A oposição síria exortou a comunidade internacional a agir contra os "massacres" e convocou um dia de luto e ira, depois de uma nova onda de violência, com epicentro na região de Homs que deixou nesta segunda-feira quase 100 mortos.

Os novos episódios de violência, que incluíram a morte de 55 civis e 41 militares e dissidentes, segundo o opositor Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH, com sede em Londres), transformaram a segunda-feira num dos dias mais sangrentos desde março, quando começaram as manifestações contra o regime de Damasco. Segundo o Exército Livre da Sívia, "50% do território sírio já não está sob controle do governo".

O chefe das agências de inteligência americanas, James Clapper, indicou que Assad cairá inevitavelmente diante de protestos massivos. "Não vejo como pode manter seu governo na Síria", disse Clapper em uma audiência com senadores. Ante "os selvagens massacres de civis, entre eles mulheres e crianças", o mais importante grupo da oposição, o Conselho Nacional Sírio (CNS), deplorou a falta de "ação rápida" por parte da comunidade internacional para proteger os civis "mediante todos os meios necessários".

O CNS reafirmou também a "determinação do povo de lutar por sua liberdade e dignidade", assegurando que "não entregará sua revolução, sejam quais sejam os sacrifícios".

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