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Roubini: "Não há muito a ser feito"

por Redação Carta Capital — publicado 12/08/2011 16h16, última modificação 06/06/2015 18h57
O melhor é retirar investimentos até a situação se definir, pois há chances de uma recessão profunda, diz o economista

Ainda que apreensão e pessimismo tenham invadido o cenário econômico global, a perspectiva do economista Nouriel Roubini, famoso por ter previsto a crise de 2008 muito antes de ela se anunciar, consegue ser ainda mais desoladora. Em entrevista ao The Wall Street Journal nesta quinta-feira 11, Roubini afirmou que há mais de 50% de chances das economias avançadas entrarem em uma recessão profunda e aconselha os investidores a manterem seus investimentos em cash enquanto o cenário não se definir.

Não há muito a ser feito, segundo ele. “Existem algumas coisas que podem ser feitas. Zerar os juros do Banco Central é um passo, comprar mais tesouros é outro, mas se formos entrar em uma depressão profunda, isso não vai funcionar”, diz ele.  Na sua previsão, dentro de dois ou três meses o mundo saberá se a economia se reerguerá ou entrará no chamado segundo mergulho, ou seja, uma recaída em meio à recuperação.

“De certa maneira, Karl Marx estava certo. O capitalismo é auto-destrutivo porque você não consegue ter essa concentração de renda sem diminuição da demanda agregada”, afirma. Ou seja, a transferência compulsória de capital do trabalhador para o capitalista acaba por inviabilizar o próprio sistema, ao acabar com o mercado consumidor. Os empresários não estão ajudando ao reduzir a capacidade e contratações, contribuindo para esse paradoxo. A lógica vale também para as políticas estatais de corte fiscal. A longo prazo, é necessário realmente cortar gastos, mas no curto, os governos devem ter políticas fiscais de estímulo à atividade econômica. Estados Unidos, Reino Unido e Japão entrarão em recessão com essa política de cortes que vem sendo feita.

A culpa do déficit orçamentário americano, diz ele, é do ex-presidente George Bush. “Se você quer armas, você não pode reduzir taxas”, afirma. No início da era Bush, as contas tinham um superávit de 300 bilhões. Bush acabou a gestão com um déficit orçamentário de 1,2 trilhões, uma vez que gastou muito com guerras consideradas “invencíveis” por Roubini, ao mesmo tempo que reduziu os impostos. “Essas e outras ações destruíram nossas condições fiscais antes de Obama entrar no poder”, comenta.

O economista comparou as revoltas que tem surgido no mundo todo com os levantes da Idade Média gerados pela grande fome. “Na Grã-Bretanha, quem chama aquelas pessoas de vândalas não percebem que elas estão passando por necessidades e que, seja no Reino Unido ou no Egito, as pessoas pobres tendem a se manifestar”, explica.

Quanto aos Estados Unidos, talvez também explodam revoltas devido a “patologia social e da pobreza”, como nos outros lugares. Mas afirma que a nação tem um modo peculiar de lidar com esse tipo de ação: é o país com maior número de pessoas na cadeia. “É a maneira que encontramos para lidar com nossos problemas”, diz.

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