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Reunião da Unasul vai discutir tensão depois de eleições na Venezuela

por Redação Carta Capital — publicado 18/04/2013 11h25, última modificação 18/04/2013 11h46
Líder opositor Capriles mantém pressão sobre o Conselho Nacional Eleitoral venezuelano e exige a recontagem manual de votos. Protestos entre governistas e opositores já mataram oito pessoas
Venezuela

A oposição questiona a vitória eleitoral de Nicolás Maduro. Foto: ©afp.com / Leo Ramírez

Brasília - A tensão na Venezuela, em decorrência das eleições presidenciais ocorridas no domingo 14, é o tema principal de uma reunião de urgência convocada para esta quinta-feira 18 pelos líderes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), em Lima, no Peru. A presidenta Dilma Rousseff confirmou presença. Depois, ela segue para Caracas, capital venezuelana, para a cerimônia de posse do presidente eleito Nicolás Maduro. Os protestos e confrontos entre oposição e governo já mataram oito pessoas e feriram outras 70.

A reunião ocorre em Lima porque o presidente do Peru, Ollanda Humala, comanda temporariamente a Unasul. Integram a Unasul os seguintes países: Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai (suspenso do bloco), Venezuela, Chile, Guiana e Suriname. O Panamá e o México são países observadores do grupo.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Congresso peruano, Víctor Andrés García Belaunde, disse que o desafio da reunião é “convencer” as partes em conflito na Venezuela a buscar um “diálogo franco e sincero para salvar a democracia e assegurar a governabilidade”.

Ao mesmo tempo, o ministro das Relações Exteriores do Peru, Rafael Roncagliolo, lembrou que os países da América do Sul e o México reconheceram os resultados das eleições na Venezuela. “Parece-nos importante analisar juntos a situação, assim teremos avaliados também situações passadas e montamos uma agenda aberta para ter oportunidade de ter um diálogo conjunto”, ressaltou. “Evidentemente há uma situação difícil e nós queremos ajudar no que for possível”, disse o chanceler.

Impasse e violência

Enquanto isso, a posição mantém a pressão para obter a recontagem dos votos da eleição presidencial na Venezuela. Na quarta 17, o líder opositor Henrique Capriles entregou um pedido formal para a recontagem de votos pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), após a vitória do chavista Nicolás Maduro por estreita margem.

"Explicamos que há necessidade de uma solução política para a crise (...) e esperamos isto o mais cedo possível, já no próximo anúncio do CNE", disse Carlos Ocariz, chefe da campanha de Capriles, destacando que entregou "provas" das irregularidades na eleição.

Após receber o pedido para a recontagem dos votos, a presidente do CNE, Tibisay Lucena, declarou a imprensa que se deve "respeitar o direito de protesto e o direito de discordar".

Em reunião com 20 governadores chavistas, Maduro disse nesta quarta que apoiará a decisão do CNE, mas recordou que diante da estreita margem de votos, já se realizou uma auditoria sobre 54% dos votos, como determina a lei.

A presidente do Supremo Tribunal de Justiça (TSJ), Luisa Estela Morales, garantiu que "não existe" no país contagem manual de votos, como solicita Capriles, porque o sistema eleitoral é eletrônico. "Na Venezuela, desde a Constituição de 1999 se eliminou a forma manual dos processos eleitorais. Na Venezuela, o sistema eleitoral é absolutamente 'sistematizado', de modo que a contagem manual não existe".

A presidente do TSJ observou que "estão enganadas as pessoas que acreditam que este tipo de contagem pode ocorrer", e que isto "incita o início de uma luta sem fim nas ruas".

*Com informações da Agência Brasil e da AFP

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