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Repressão aumenta e governo impõe toque de recolher no Bahrein

por Opera Mundi — publicado 16/03/2011 16h40, última modificação 16/03/2011 16h40
De acordo com a rede Al Jazeera, helicópteros bombardearam manifestantes e a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo

Por Daniella Cambaúva, do Operamundi

Um dia após o governo do Bahrein decretar estado de emergência no Bahrein, forças leais ao rei, Hamad Bin Isa Al-Khalifa, aumentaram a repressão contra oposicionistas. De acordo com a rede Al Jazeera, helicópteros bombardearam manifestantes e a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo.

Em seguida, as autoridades decretaram um toque de recolher, que durará das 16h até as 04h do horário local na capital, Manama, onde ocorrem as principais manifestações. O porta-voz do governo disse que a decisão foi tomada até nova ordem e acrescentou que os protestos estão proibidos em todo o território nacional.

A polícia bloqueou o acesso ao hospital de Manama, onde muitos civis feridos são atendidos, informou um médico à agência AFP. Testemunhas disseram também que o acesso a outros centros de saúde foi bloqueado. O governo anunciou também o fechamento da Bolsa, das escolas e das universidades em consequência do estado de emergência.

Na capital, estima-se que 500 pessoas estejam acampadas na Praça das Pérolas para protestar. Uma das principais causas do conflito no Bahrein é o fato de a maioria da população (70%) ser xiita, mas a família real ser sunita. Eles exigem abertura política e fim da monarquia.

Pressão internacional
Fronteiriço ao Irã, Catar e Arábia Saudita, o Bahrein tem uma posição estratégica no Golfo Pérsico e sedia a 5ª frota da Marinha norte-americana. Apesar de os enfrentamentos entre governo e oposição terem escalado, a comunidade internacional ainda não sinalizou a intenção de sancionar o país ou encontrar uma solução para o impasse político.

Os Estados Unidos, aliado do governo de Bahrein, enviou o secretário de Estado assistente, Jeff Feltman, para tentar resolver a crise. Ontem, a Casa Branca afirmou que "não há solução militar" para esses acontecimentos políticos.

"Uma coisa está clara: não há solução militar para os problemas de Bahrein. Uma solução política é necessária e todas as partes devem trabalhar por um diálogo que atenderá às necessidades de todos os habitantes de Bahrein", declarou o porta-voz da Casa Branca, Tommy Vietor.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, criticou hoje que a intervenção das forças estrangeiras. Na segunda-feira, tropas do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG - Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Omã, Qatar e Kuwait) entraram no país a pedido da família real barenita para conter os protestos contra o governo iniciados há um mês.

“Esta intervenção militar é um ato hediondo destinado ao fracasso e os povos da região podem colocá-la na conta dos EUA”, afirmou Ahmadinejad, citado pela agência de notícias iraniana Irna. “Infelizmente, hoje no Bahrein, há uma mobilização contra a população, o que é um ato hediondo, injustificável e incompreensível. Como é que os que utilizam as armas contra o seu próprio povo querem governar?”, questionou.

Pelo menos três pessoas morreram nesta terça-feira e mais de 200 ficaram feridas em confrontos entre manifestantes e forças de segurança. Também ontem, foi decretado estado de emergência por três meses. Segundo o decreto emitido pelo rei, as forças armadas têm autorização para tomar qualquer medida de “preservação da segurança e estabilidade” do país.

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