Internacional

Somália

Reino Unido cogita atacar piratas e insurgentes islâmicos

por Redação Carta Capital — publicado 22/02/2012 17h09, última modificação 22/02/2012 18h22
Premier David Cameron está preocupado com ação dos grupos na África e com participação de britânicos em treinamentos do grupo al-Shabaab, ligado a al-Qaeda
piratas

Flickr/Governo dos EUA

O governo do Reino Unido e os de outros países europeus analisam a possibilidade de atacar pontos estratégicos e campos de treinamento de grupos islâmicos insurgentes e piratas na Somália, segundo o diário britânico The Guardian.

As atividades destes grupos têm preocupado o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, principalmente porque mais de 200 estrangeiros estiveram em campos de treinamento do grupo al-Shabaab nos últimos seis anos, sendo 40 deles britânicos.

O grupo luta contra a tentativa de transição governamental na Somália, apoiada pelo Ocidente, além de ter laços com a organização terrorista al-Qaeda.

A Somália, chamada por Cameron de “Estado falido que ameaça diretamente os interesses do Reino Unido”, será o tema de uma conferência em Londres nesta quinta-feira 23. Na reunião, o governo britânico deve anunciar a doação de 20 milhões de libras (cerca de 53 milhões de reais) para as regiões mais degradas do país a fim de ajudar na reabertura de escolas e hospitais.

O interesse em conter a ação dos piratas e insurgentes ganhou a atenção dos britânicos que vão destinar ajuda também a 150 mil refugiados somalis que foram para o Quênia e 100 mil para a Etiópia, além de um novo centro de inteligência em Seicheles.

A opção por um viés militar seria com uma operação aérea e contaria com planos nos últimos dois anos da coalização internacional que lidera o combate aos piratas.

O planejamento inclui também atacar regiões nas quais a  al-Shabaab e piratas coexistem, por meio de poucos helicópteros armados que partiriam de navios de guerra.

A iniciativa, aponta o Guardian, poderia despertar o interesse da Holanda, França e Estados Unidos. Os norte-americanos, inclusive, já atacaram com aviões teleguiados membros da al-Shabaab na Somália.

Riqueza

Um estudo do think-tank britânico Chatham House, divulgado em janeiro de 2012, mostra que centros regionais somalis foram beneficiados por investimentos bancados pela pirataria. O levantamento analisou imagens de satélite e dados de ONGs.

Em 2009, indica o relatório, os piratas receberam cerca de 70 milhões de dólares em pagamentos de resgates, cerca de cinco vezes mais que o orçamento oficial de regiões semiautônomas, como Puntland, importante base de piratas.

O estudo mostra também que apenas cerca de 30% do resgate fica com os piratas, 10% vai para auxiliares em terra, 10% é gasto em presentes e subornos para a comunidade local e 50% fica com os patrocinadores e financiadores.

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