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Dia Internacional da Mulher

Refugiadas em risco ganham campanha da ONU

por Gabriel Bonis publicado 08/03/2013 17h17, última modificação 08/03/2013 17h17
Entidade quer mostrar realidade de abusos e violências sofridas por mulheres forçadas a deixar seus países devido a conflitos

 

Distante da celebração do seu Dia Internacional, um grupo pouco conhecido de mulheres ganhou uma campanha da ONU. Expostas a diversos tipos de riscos, que variam desde exploração sexual a violência familiar, as refugiadas lidam com ameaças graves para garantir sua segurança física e de suas famílias enquanto são forçadas a fugir dos países de origem devido a conflitos, guerras, ameaças de morte, entre outros motivos.

Segundo o Acnur, cerca de 60% dos 15,1 milhões de refugiados do mundo são mulheres e meninas, parte delas vítimas de violência física, sexual ou psicológica. Algo que, em situações de conflitos, é usado como ferramenta de intimidação e humilhação. Para retratar esse universo aos latino-americanos, o órgão da ONU lançou a campanha “Amplifique Suas Vozes”.

“Todas as dificuldades que associamos às mulheres se potencializam em uma situação de refúgio e deslocamento forçado. E queremos mostrar a realidade das mulheres refugiadas dentro deste ambiente de vulnerabilidades já tão severas", explica Luiz Fernando Godinho, porta-voz do Acnur no Brasil, a CartaCapital.

Apostando na interatividade, o site www.amplifiquesuasvozes.com.br apresenta 12 depoimentos de refugiadas da América Latina, nos quais são relatados casos de violência enfrentados por elas para conscientizar a opinião pública sobre um universo quase desconhecido. Por isso, os internautas são encorajados a compartilhar os vídeos nas redes sociais.

          

Entre os relatos expostos, também há casos no Brasil, onde 30% dos 4,6 mil refugiados reconhecidos pelo governo são mulheres. Segundo o Acnur, 20 destas mulheres sofreram algum tipo de violência de gênero desde a chegada ao país, outras 20 passaram por abusos em seus países de origem, enquanto cerca de 15 foram vítimas de atos violentos entre seu país e o Brasil. Os números podem ser ainda maiores, afirma Godinho. “Há sempre o risco de subnotificação, pois é muito difícil chegar a essa informação. O processo de coleta é bem complicado, porque elas não falam explicitamente."

Para romper o silêncio deste universo de violações, o órgão da ONU realiza oficinas no país com mulheres e homens refugiados para divulgar informações sobre centros de apoio à violência de gênero e enfatizar que as refugiadas também são protegidas pela Lei Maria da Penha. “Elas podem sofrer violência e nem saber como e a quem recorrer. Procuramos previnir esses casos, mas se acontecer elas saberão a quem pedir socorro”, diz Godinho.

Outro lado importante é orientar os homens para que não haja um conflito de culturas, onde a violência contra as mulheres é tolerada. "Eles precisam entender que bater na mulher ou violenta-la é crime no Brasil.”

O Acnur também procura adotar medidas para evitar abusos ou violência contra as mulheres nos campos de refugiados. Nestes locais, os postos de serviços e de água sempre ficam a uma distância segura e bem iluminada e os banheiros são separados entre os sexos.

No Brasil, ONGs parceiras orientam as mulheres sobre saúde sexual, testes de HIV e acesso à saúde pública. Além disso, todos os anos o Acnur reúne grupos de refugiadas para entender melhor suas demandas. Elas conversam sempre com assistentes sociais mulheres. “Isso as deixa mais confortáveis. Foi desta forma que conseguimos descobrir as informações sobre violência sexual. Elas jamais contariam isso a homens.”

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