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Recrutamento de religiosos provoca racha no governo de Israel

por José Antonio Lima publicado 17/07/2012 14h31, última modificação 06/06/2015 18h19
Partido centrista deixa o governo por considerar insuficiente a reforma na lei que rege a convocação de ultraortodoxos ao Exército
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Crianças do secto ultraortodoxo Eda Haredit, que rejeita a existência de Israel, protestam, na segunda-feira 16, contra a possibilidade de serem convocadas pelo Exército. Foto: Jack Guez / AFP

Durou pouco mais de dois meses a maior coalizão governista da história de Israel. Nesta terça-feira 17, 70 dias depois de se juntar ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o Kadima, um partido centrista, abandonou o governo. O rompimento foi causado pelas divergências entre os dois partidos a respeito de modificações na lei de recrutamento para o Exército, um tema bastante sensível em Israel. Com o fim da coalizão, novas eleições podem ser convocadas para janeiro de 2013, nove meses antes do fim do mandato de Netanyahu.

O rompimento foi anunciado por Shaul Mofaz, o líder do Kadima. Segundo ele, “não há escolha” ao partido a não ser deixar o governo diante das divergências entre os dois grupos. Em votação interna, Mofaz foi apoiado por 25 dos 28 parlamentares do Kadima, que agora deixarão a base de apoio a Netanyahu. Nos últimos 70 dias, Netanyahu tinha uma maioria de 94 parlamentares entre os 120 existentes.

As diferenças entre Netanyahu e o Kadima surgiram por conta da necessidade de alterar a chamada Lei Tal. Existente desde a fundação de Israel, a legislação desobriga judeus ultraortodoxos do serviço militar desde que esses estejam realizando estudos religiosos. Neste ano, a Suprema Corte de Israel considerou a lei ilegal e determinou que, a partir de agosto, ela seja substituída por uma regra mais igualitária.

Para o Kadima, as reformas propostas por Netanyahu eram insuficientes. Netanyahu propôs que 50% dos ultraortodoxos com idade entre 18 e 23 anos fossem convocados e que 50% dos religiosos com idade entre 23 e 26 anos fossem recrutados para o serviço civil nacional. Os outros estariam livres do serviço. A proposta, aceita pelos diversos partidos religiosos que apoiam Netanyahu, foi considerada inaceitável pelo Kadima. O partido desejava que, nos próximos quatro anos, pelo menos 80% dos ultraortodoxos fossem convocados. Sem acordo, a coalizão se rompeu.

A convocação de religiosos em Israel é um tema bastante sensível. Para setores seculares, a isenção a esses religiosos é errada pois eles não dividem o fardo de proteger o país ao mesmo tempo em que formam a maioria da população dos assentamentos – montados em terras palestinas e, muitas vezes, motivo de violência. Para a maior parte dos ortodoxos, o estudo religioso substitui o serviço militar, pois é parte fundamental da defesa do Estado. Há também entre os ortodoxos alguns antissionistas, que rejeitam a existência do Estado judeu e, por consequência, consideram o serviço militar não legítimo.

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