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Sudão do Sul

Rebeldes matam centenas de civis no Sudão do Sul por motivos étnicos

por Deutsche Welle publicado 22/04/2014 09h56
As Nações Unidas relatam mais um massacre no Sudão do Sul. Na mais nova nação do planeta, aumenta a disputa pelos campos de petróleo, enquanto também cresce o número de mortes por desavenças étnicas
Simon Maina

O Sudão do Sul é abalado novamente por combates entre tropas do governo e forças rebeldes. Os confrontos giram, principalmente, em torno do controle dos campos de petróleo no país empobrecido.

Apoiadores do ex-vice-presidente Riek Mashar, declararam, nesta segunda-feira 21, ter conquistado a cidade de Mayom, no estado petroleiro de Unité. Muitos soldados teriam morrido, disseram os rebeldes, que pretendem agora avançar para a região vizinha de Warrap.

Além disso, tornou-se público que apoiadores de Mashar mataram na semana passada centenas de pessoas na cidade de Bentiu por motivos étnicos. Mashar pertence ao grupo étnico dos nuer, enquanto seu adversário, o presidente Slava Kiir, é um dinka.

Segundo dados das Nações Unidas, após conquistarem Bentiu, os rebeldes apoiadores de Mashar passaram a perseguir todas as pessoas que não pertenciam à etnia nuer na região. Os civis foram mortos, entre outros, num hospital e numa igreja. Além disso, 200 pessoas teriam sido mortas numa mesquita, informou a ONU nesta segunda-feira.

Diferenças étnicas
A Missão da ONU no Sudão do Sul (Unimiss) criticou duramente a morte de homens, mulheres e crianças. Segundo a Unimiss, os rebeldes perseguiram os opositores durante dois dias. Pelo rádio, eles teriam instado seus apoiadores a estuprar mulheres de outras etnias. Os massacres não teriam acontecido somente no hospital, na igreja e na mesquita, mas também num prédio abandonado do Programa Mundial de Alimentos (PMA), onde moradores e estrangeiros haviam buscado refúgio, informou a ONU.

Em comunicado, a Unimiss detalhou as atrocidades cometidas na mesquita Kali-Ballee, onde centenas de pessoas haviam se refugiado. "Os rebeldes selecionaram indivíduos de certas nacionalidades e etnias, escoltando-os em segurança, e mataram os outros." No hospital, também foram mortos homens, mulheres e crianças da etnia nuer, porque haviam se escondido e não participaram das comemorações da conquista da cidade pelos rebeldes.

O comunicado disse ainda que tropas de paz da ONU puderam salvar, posteriormente, mais de 500 civis, entre eles muitos feridos. A ONU informou que, atualmente, 12 mil pessoas teriam se refugiado em sua base na cidade. Os rebeldes apoiadores do ex-vice-presidente Mashar conquistaram Bentiu, capital do estado de Unité, em meados de abril.

Milhares de mortos
Uma disputa latente entre o presidente Kiir e o ex-vice Mashar, afastado do cargo em 2013, escalou em meados de dezembro do ano passado. Desde então, atos de violência por motivos étnicos acontecem com frequência.

As relações entre os grupos étnicos são marcadas há anos pela tensão. Até agora, fracassaram todos os esforços para se chegar a um acordo de paz na capital da Etiópia, Adis-Abeba.

Milhares de pessoas já foram mortas desde o início dos conflitos armados no Sudão do Sul, Estado africano que se tornou independente do Sudão somente em 2011. Os conflitos também já provocaram a fuga de 900 mil civis.

  • Edição Roselaine Wandscheer

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