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Internacional

Dívida americana

Líderes europeus tentam acalmar mercados

por Redação Carta Capital — publicado 07/08/2011 10h20, última modificação 07/08/2011 12h54
Rebaixamento dos EUA pode causar corrida para venda de títulos da dívida. Reuniões de emergência acontecem neste domingo para evitar estresse nas bolsas na segunda

O rebaixamento da nota da dívida norte-americana ainda pode provocar efeito cascata nas notas dos estados e das instituições financeiras norte-americanas, o que pioraria ainda mais a situação de crise vivida pelo país e pelo mundo. A avaliação é do ex-analista econômico do Banco Central (BC) e membro do Conselho Federal de Economia Newton Marques. “O pouco que se pode afirmar é que nem a economia dos Estados Unidos nem a da Europa vão crescer como se imaginava. Isso é evidente.”

“Agora, os países vão deixar de aplicar nos títulos dos Estados Unidos, pelo menos da forma como faziam. Por isso, a próxima segunda-feira será uma quebradeira generalizada por causa da corrida para a venda dos títulos norte-americanos”, aposta o economista.

“Neste momento o que está sendo questionado no dólar são as funções de reserva de valor e a de meio de pagamento, que é a principal porque faz do dólar a moeda usada para comércio internacional. Se perder esta última função, será o caos para os Estados Unidos”, avalia o ex-analista do BC.

“Os bancos vivem à custa da confiança. Só que o que há dentro dele é dinheiro escritural. Dizem que está lá dentro, mas na verdade não está. Em 2008 havia, no mundo, US$ 600 trilhões em papéis como títulos, dinheiro e ativos financeiros em geral. Só que, na realidade, existem apenas US$ 60 trilhões, se somarmos os produtos internos brutos de todos os países. Um dia a música vai parar e a gente vai ter de sentar nas cadeiras. Muitos não terão lugar. Pode apostar.”

Marques considera que a nova crise é mais séria do que a de 1929 porque criou "metástase" no sistema financeiro mundial.

"Qualquer tentativa de reconstrução do sistema encontra barreiras. É o caso do imposto sobre sistema financeiro, que teria como destino o combate a crises futuras. Não deu outra, foi abortado. O que precisa ser feito é pensar uma nova arquitetura financeira mundial. Mas isso é algo muito difícil de ser feito”, avalia.

Líderes europeus tentam acalmar mercados

Para tentar amenizar esses efeitos, o G7, grupo internacional que reúne os sete países mais industrializados e desenvolvidos economicamente do mundo, e o Banco Central Europeu, estão, neste domingo 7, em reuniões de emergência e ligações por telefone, para tentar acalmar os mercados. Eles devem debater, ao longo do dia, o que fazer para evitar um desequílibrio nas bolsas.

Administradores do BE também se encontrarão hoje, em caráter de emergência, para debater a dívida italiana.
Os países do G20, grupo formado pelos ministros de finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia, fizeram nesta manhã uma conferência telefónica de urgência, sobre a crise da dívida e o rating dos Estados Unidos.

Com informações da Agência Brasil