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Desastre

Radioatividade da usina de Fukushima atinge ao menos 7 países na Europa‎

por Opera Mundi — publicado 31/03/2011 16h53, última modificação 31/03/2011 16h53
O material vazou e se espalhou na água e no ar desde que os reatores nucleares foram parcialmente destruídos pelo terremoto seguido de tsunami. Por Ernani Lemos e Juliana Yonezawa

Por Ernani Lemos e Juliana Yonezawa

A Europa detectou os primeiros traços de radiação provenientes da Usina Nuclear de Fukushima Daiichi, no Japão. O material vazou e se espalhou na água e no ar desde que os reatores nucleares foram parcialmente destruídos pelo terremoto seguido de tsunami no dia 11 de março. Alemanha, Espanha, França, Itália, Irlanda, Suécia e Noruega estão entre os países que já confirmaram ter encontrado partículas da substância radioativa iodo-131.

O Instituto de Proteção Radiológica da Irlanda (RPII, na sigla em inglês) detectou apenas 20 unidades desse material por metro cúbico de ar. “Nesse nível, o iodo radioativo não apresenta nenhum risco à saúde humana. Para ser preocupamente, o número teria que estar em dezenas de milhares.”, afirmou ao Opera Mundi Ciara McMahon, diretora de vigilância ambiental do RPII.

“Por estarem mais próximos do Japão, países como os Estados Unidos foram mais atingidos, mas mesmo nesses lugares a radiação não chega a ser preocupante. Não há motivo para alarme por aqui e essa é uma mensagem que vale para toda a Europa. Nós mantemos contato com instituições similares dos países vizinhos e as nossas medições são muito consistentes com as apresentadas por esses lugares.”, completou.

Desde o terremoto no Japão, o  instituto aumentou a frequência de testes para checar a radiação na água e no ar. A medição passou de mensal para diária. A Agência Britânica de Proteção à Saúde também intensificou as medidas de segurança. A entidade informou que chegou a encontrar 300 unidades de iodo-131 por metro cúbico de ar.

Ainda assim, as partículas detectadas agora representam menos de um milionésimo do que foi encontrado nos países europeus após o desastre de Chernobyl em 1986. O iodo-131 foi apontado como a causa de câncer da tireoide entre crianças expostas aos lugares mais próximos do acidente.

Futuro

A radioatividade se dispersa do Japão para o hemisfério norte e se dilui enquanto viaja para o leste. Isso significa que o nível de partículas nucleares no ar da Europa pode aumentar em breve, de acordo com a direção e com a velocidade do vento.

“É claro que nós esperamos o aumento na medição de radioatividade, mas, por enquanto, não temos razão para nos preocupar com esse futuro breve. Tudo indica que a quantidade de iodo-131 por aqui não vai chegar a um nível suficientemente alto para provocar riscos à saúde”, afirmou Ciara.

“Além disso, esse tipo de substância tem o que nós chamamos de meia-vida curta, ou seja, a cada oito dias ela perde metade da radiação, tornando-se menos nociva ao ser humano.”

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