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Quem é quem na Rota Inca

por Rota Inca — publicado 28/07/2010 14h55, última modificação 10/08/2010 15h03
Direto do Equador, Vitor Taveira conta que, no barco da Rota Inca, nem todos são marinheiros de primeira viagem.

Direto do Equador, Vitor Taveira conta que, no barco da Rota Inca, nem todos são marinheiros de primeira viagem. Acompanhe:
Pode-se imaginar que chegar a outro país ou até outro continente para conviver 40 dias com pessoas desconhecidas e explorar lugares e culturas diferentes é uma aventura um tanto surpreendente para qualquer jovem. A expedicionária polonesa Weronika Pietras já havia viajado com alguns amigos mas diz que nunca imaginou que conhecer novos lugares com tantas pessoas de diferentes países poderia ser tão bom, já que além de conhecer a cultura dos lugares visitados também pode aprender um pouco sobre cada país através dos próprios companheiros de viagem.

O peruano André Chero completou 17 anos durante a Rota e é um dos mais jovens participantes esse ano. Ele afirma que inicialmente teve dificuldade para adaptar-se aos novos horários e pessoas de diferentes lugares. “Tive fácil relacionamento com os latino-americanos mas não sabia muito bem como me portar em relação aos europeus pela diferença cultural. Mas logo eles mesmo vinham nos conhecer e pudemos entender-nos bem.” O argentino Gustavo de La Fuente chegou uma semana atrasado a expedição devido aos exames finais de sua faculdade e conta que se surpreendeu com o bom astral dos viajantes. Ele afirma que esperava algumas dificuldades de comunicação devido as diferenças de cultura, línguas e códigos mas que afinal encontrou um grupo bastante homogêneo.

Mas no barco da Rota Inca 2009 nem todos são marinheiros de primeira viagem. O recordista é o peruano Jorge Cuevas, que participa pelo terceiro ano consecutivo do evento. Durante essas oportunidades pode conhecer mais seu país, além de Bolívia, Chile, Equador e agora Colômbia. Cuevas acredita que o grupo mais reduzido de expedicionários esse ano (38) favorece uma maior interação entre eles. O peruano explica que passaram muitas dificuldades nos anos anteriores por não haver dinheiro suficiente devido ao grande número de participantes, mas que ao final tudo se ajeitava e que prevalecia um dos lemas da expedição: “A Rota fazem os ´roteros´”.

Outro que esteve em edições anteriores da expedição foi o belga Alexandre Binot, participante da Rota Inca 2007, a maior até hoje com quase 120 participantes. Ele avalia que a organização não foi boa na sua primeira participação e que houve casos de desrespeito as tradições, como jovens jogando futebol com uma oferenda.

Apesar dos percalços, ele também levou ótimas lembranças desse ano, já que durante a viagem conheceu sua atual namorada, uma peruana. Estudante de Comércio Exterior, ele diz que viajar serviu para que conhecesse melhor o mercado latino-americano, que é bem distinto do europeu, e que isso ajuda para seu plano de abrir uma fábrica de cerveja artesanal no Peru.

Segundo o criador e coordenador da Rota Inca Rubén La Torre, o projeto se inspirou em outra expedição chamada Rota Quetzal, organizada pela diplomacia espanhola e financiada pelo banco BBVA e outras empresas privadas. Entretanto a Rota Inca funciona de maneira mais independente e improvisada devido ao fato de não contar com apoio fixo tanto em termos diplomáticos como financeiros. Rubén diz que às vezes ao início da Rota Inca pode-se ter uma sensação de caos, mas logo os próprios expedicionários tomam a frente para resolver os problemas.

Duas expedicionárias da Rota Inca 2009 participaram da Rota Quetzal nos anos anteriores. A espanhola Alba Juárez, 18 anos, esteve no México em 2007 e pode conhecer melhor a cultura dos povos ancestrais desse país. Ela pensa que a Rota Quetzal tem uma melhor estrutura e organização, levando grupos de 400 jovens entre 16 e 17 anos de idade. Além disso, a expedição do governo espanhol possui menos custos já que os participantes recebem ajuda financeira e de material de viagem, enquanto na Rota Inca tos expedicionários que pagar todos os custos de participação. Porém, ela pensa que o fato dos participantes da Rota Inca serem majoritariamente adultos permite uma maior liberdade e mais espaço para diversão. “A Rota Quetzal em 2008 foi totalmente diferente, lá éramos 400 e aqui somos 40. Em uma semana já nos conhecemos todos, enquanto que ao final da Rota Quetzal eu não conhecia nem metade dos participantes. Prefiro estar em um grupo menor porque é algo mais pessoal” compara a inglesa Jessica Sandelson, de 18 anos. Ela também vê maior protagonismo dos jovens da Rota Inca, pois muitas vezes eles visitam comunidades e tem que subir ao palco e falar em espanhol para toda a população presente.

Futura estudante de história, Sandelson diz que a Rota Quetzal mudou sua vida e espera que a Rota Inca seja igual. Ela crê que o principal aprendizado vem das comunidades visitadas que é algo que não se pode aprender através de livros, televisão ou internet. “Conhecer as tradições é ver que a história continua viva nos povos e que eles levam isso adiante. Viajar me fez abrir os olhos para o mundo, e isso é fascinante.”

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