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Internacional

Voo AF447

'Quem é o responsável por essa bagunça?'

por Gianni Carta publicado 13/10/2011 13h24, última modificação 13/10/2011 13h31
Livro publicado na França com transcrições de caixas-pretas revela falta de sintonia entre os pilotos e levanta questões sobre sua competência

O tabu foi quebrado. Pilotos de avião jamais citam, e muito menos publicam, transcrições de caixas-pretas. Em livro publicado na França nesta quinta-feira 13, Jean-Pierre Otelli descreve os últimos momentos vividos pelos três pilotos no acidente do voo AF 447 em 31 de maio de 2009.

O Airbus A330 da Air France, que havia deixado o Rio de Janeiro rumo a Paris, levava 228 passageiros, incluindo brasileiros e pessoas de várias nacionalidades. Foram encontrados 50 corpos, dos quais 20 de brasileiros.

O diário francês Le Figaro reproduziu o trecho de Crash Rio-Paris (Éditions Altipresse, 24 euros), no qual fica clara a falta de sintonia entre os pilotos ao lidar com uma situação que não pareciam capazes de controlar. A queda durou 3 minutos e 30 segundos.

Piloto à esquerda: “Suba...suba...suba...suba!!!”

Piloto à direita: “É o que eu estou tentando fazer já faz tempo”.

Comandante de bordo: “Não, não...não...não subam mais...não...não...”

Piloto à direita: “Então vou baixar”.

Piloto à esquerda: “Putain ...nós vamos cair. Não pode ser”.

Piloto à direita: “Mas o que está acontecendo?”

Segundo Otelli, o piloto à esquerda compreendeu, desde o início, a situação. Era preciso puxar a alavanca para fazer o avião subir. Naqueles momentos trágicos, o comandante permaneceu atrás dos dois copilotos, e em momento algum assumiu a liderança no cockpit. Os copilotos, diga-se, já tinham perdido controle do Airbus  quando o comandante voltou de seu repouso.

Para Otelli, instrutor com 14 mil horas de voo, esse diálogo entre os pilotos levanta questões sobre seu nível de formação e de competência. De fato, a agência francesa a investigar as causas da queda do voo AF 447 (BEA, na sigla em francês), não divulgou dossiês sobre os pilotos.

No entanto, a BEA condenou a divulgação das transcrições das caixas-pretas em Crash Rio-Paris. Em nota, a agência de investigações informou que a publicação do diálogo “é uma falta de respeito à memória dos pilotos”. A BEA emendou: a publicação viola a legislação europeia de aeronáutica.

O livro de Otelli é quinto volume da série Erros de Pilotagem da Éditions Altipresse. A série é criticada pela BEA e outros porque publica transcrições de caixas-pretas jamais divulgadas pelos investigadores de diferentes acidentes aéreos.

Para Jean-Pierre Otelli a questão mor é esta: “Quem é o verdadeiro responsável por essa bagunça?”

*Com informações da Agência Brasil

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