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Internacional

Rigoberta Menchú

Quanto maior a projeção, maior a violência

por Gabriel Bonis publicado 11/11/2011 11h04, última modificação 11/11/2011 11h16
Para a Nobel da Paz, protagonismo feminino na sociedade desperta mais ataques às mulheres

A violência contra as mulheres aumenta na mesma proporção em que ganham poder. É o que afirma a vencedora do prêmio Nobel da Paz Rigoberta Menchú, em entrevista ao site de CartaCapital, por telefone. “Creio que há um ambiente favorável às mulheres na sociedade e, por isso, elas são mais atacadas. Prova disso são os delitos já caracterizados como feminicídio”, diz. “Isso significa que o nosso protagonismo está dando resultado.”

Segundo a ativista de direitos indígenas, as mulheres desempenham cada vez mais papéis de destaque, sendo responsáveis pela solução de problemas em diversas comunidades. “A maioria dos integrantes de organizações sociais são mulheres e estamos concorrendo mais a eleições populares”, explica Menchú, que disputou a presidência da Guatemala em 2011, mas não passou para o segundo turno.

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Para a guatemalteca, também ligada a causas ambientais, as mulheres precisam ser incluídas em políticas públicas que não as tratem como vítimas, mas protagonistas. “Precisamos ser vistas como líderes de mudanças, dirigentes sociais, empresariais e econômicas. Além disso, a ênfase sobre o papel das mulheres na sociedade tem sido desigual.”

Menchú, que vem ao Brasil para o 2º Fórum Global de Sustentabilidade do festival de música SWU, em Paulínia (SP), no dia 12 de novembro, também destaca a necessidade de reformas sociais para superar novos desafios, que não envolvem apenas as mulheres. “Se não encontrarmos soluções para os problemas da saúde, pobreza e melhorarmos as condições de vida da juventude, a violência vai aumentar e vamos ter novos conflitos.”

Quanto a este cenário, a Nobel da Paz é pessimista. “Seremos afetados pela violência ou o florescimento de máfias corporativas, da droga, da corrupção e da impunidade, pois as leis já não funcionam. É urgente que encontremos novas vias para fazermos o desenvolvimento sustentável.”

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