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Putin vence eleição, mas terá de enfrentar oposição

por AFP — publicado 05/03/2012 08h52, última modificação 05/03/2012 08h59
Segundo analistas, a permanência de Putin no poder é ameaçada pelo estancamento da economia
simpatizantes de putincelebram em Moscou ©AFP  John Macdougall

simpatizantes de Putin celebram em Moscou ©AFP John Macdougall

MOSCOU (AFP) - O primeiro-ministro e ex-presidente russo Vladimir Putin venceu com folga a eleição presidencial de domingo com quase 64% dos votos, após a apuração quase total das urnas.

Putin recebeu 63,75% dos votos, contra 17,19% do segundo colocado, o líder do Partido Comunista Guenadi Zyuganov, após a apuração de 99,3% dos votos em todo o país.

"De acordo com os resultados preliminares, Vladimir Vladimirovich Putin foi eleito presidente da Federação Russa", declarou o diretor da Comissão Eleitoral Central, Vladimir Shurov.

"Como vocês podem ver, não acontecerá um segundo turno", completou.

O terceiro colocado foi o magnata Mikhail Projorov, com 7,82% dos votos, seguido pelo ultranacionalista Vladimir Zhirinovsky (6,23%). O quinto lugar ficou o ex-presidente da Câmara Baixa Serguei Mironov (3,85%).

A participação foi 65,3%, de acordo com a Comissão Eleitoral Central, uma queda na comparação com os quase 70% registrados em 2008, mas superior ao resultado das eleições legislativas de dezembro.

Na região Moscou, Putin recebeu menos da metade dos votos (47,22%), enquanto o liberal Prokhorov ficou com 20,21%.

Putin foi presidente do país durante dois mandatos, de 2000 a 2008, antes de assumir o posto de primeiro-ministro durante o governo de Dmitry  Medvedev.

No entanto, Nicolas Miletitch, da AFP, diz que segundo analistas, a permanência de Putin no poder desta vez é ameaçada pelo estancamento da economia, como a que a União Soviética sofreu na época de Leonid Brejnev.

"Não é rumo a estabilidade para onde nos dirigimos, mas para o estancamento: a economia não se desenvolve e o sistema não é eficaz", avalia o cientista político Alexander Konovalov, do Instituto de Estudos Estratégicos de Moscou.

Opinião compartilhada por Mark Urnov, da Escola Superior de Economia. "O sistema precisa de reformas profundas, políticas e econômicas, mas não há nem os recursos financeiros, nem os recursos políticos para fazê-lo", afirma.

Urnov dá como exemplo a luta contra a corrupção, uma praga denunciada tanto por Putin quanto pela oposição, mas o futuro presidente "não pode lutar contra a corrupção". "Isto o obrigaria a agir contra seu entorno. E como sua popularidade cai, não pode fazer guerra em seu próprio grupo", argumenta o especialista.

Consultado pela AFP, Konovalov assegura que "um dos principais desafios que Putin enfrenta é que tudo está relacionado com o preço do petróleo. Se o preço do barril é inferior a 130 dólares, será impossível para ele cumprir suas promessas e equilibrar o orçamento".

Em caso de queda do preço do petróleo, "não se pode excluir que haja agitação política e violência", continua o especialista.

Em várias ocasiões nos últimos três meses, dezenas de milhares de pessoas se manifestaram em Moscou e em outras cidades do país para protestar contra a fraude registrada nas legislativas de dezembro, nas quais venceu o partido no poder.

Estas manifestações sempre foram pacíficas até o momento e não foram constatados atos de violência por parte dos opositores.

A decepção do povo russo aumentará após as presidenciais "e a contestação crescerá", segundo Konovalov, que adverte para o risco de radicalização da situação.

"Pode-se temer uma radicalização, não de parte da oposição, mas de parte da elite que rodeia Putin, que está nervosa", assegura Urnov.

Nas últimas semanas, os cientistas políticos têm aumentado as análises sobre a possível evolução do regime, após o retorno de Putin ao Kremlin, sem chegar a entrar em acordo: alguns preveem uma certa abertura para a oposição, outros um endurecimento do poder frente aos contestatários.

Segundo o analista Yuri Korguniuk, "o poder vai ensaiar estratégias diferentes". "Primeiro, tentará fazer pressão sobre a oposição. Quando vir que isto não dá resultado, tentará se abrir. Mas esta abertura não será vantajosa" para ele.

A oposição extraparlamentar que se manifesta nas ruas atualmente é um conjunto heterogêneo e sem um verdadeiro líder.

"Se o regime escolher o confronto violento, a oposição modificará sem dúvida seus métodos e seus objetivos de luta. E muito provavelmente, emergerão novos líderes mais radicais", considera o escritor Boris Akunin, um dos promotores das marchas contra Putin em Moscou.

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