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Protestos contra o governo levam milhares às ruas e deixam ao menos 3 mortos

por Opera Mundi — publicado 26/01/2011 17h14, última modificação 26/01/2011 17h36
A manifestação, já batizada de "Dia de Fúria", e inspirada nos protestos similares que acontecem na Tunísia

A manifestação, já batizada de "Dia de Fúria" e inspirada nos protestos similares que acontecem na Tunísia

 

Milhares de pessoas foram às ruas de várias cidades do Egito nesta terça-feira (25/01) pedir reformas políticas no país, que há quase 30 anos é governado pelo ditador Hosni Mubarak. A manifestação, já batizada de "Dia de Fúria" e inspirada nos protestos similares que acontecem na Tunísia, deixou pelo menos três mortos - dois civis e um policial.

O policial morto, identificado como Ahmed Abdelaziz, foi ferido na praça de Tahrir, no centro da capital, Cairo, e morreu no hospital para onde foi levado. Já os dois civis morreram na cidade de Suez, afirmou a agência Efe. As ordens do governo aos policiais eram de conter a qualquer custo as manifestações.

O ministro do interior, Habib el-Adli, ordenou a detenção de qualquer pessoa que “expresse suas opiniões ilegalmente”. No Egito, manifestações sem prévia autorização do governo são proibidas. Solicitações para hoje foram negadas, por motivos de segurança.

Manifestante se posiciona em frente a caminhão da polícia:

 

"Abaixo, abaixo Hosni Mubarak", gritavam os manifestantes em frente a um complexo judicial no centro da capital, que ficou cercado por policiais. A segurança foi reforçada em diversos pontos do Cairo e em outras áreas do Egito, para evitar que os protestos se propagassem.

"Gamal, avise o seu pai que os egípcios o odeiam", gritavam os manifestantes, referindo-se ao filho de Mubarak, que muitos consideram estar sendo preparado para suceder o pai, de 82 anos.

A polícia usou canhões de água e bombas de gás de efeito moral para dispersar a multidão que se reuniu no centro do Cairo. Aglomerações e manifestações populares são proibidas há décadas no Egito, governado desde 1981 por Mubarak.

O grupo opositor "6 de Abril", um dos principais responsáveis pelos protestos, disse que promoverá novas manifestações nesta quarta-feira (26/01). Na tentativa de reprimir os protestos, o governo bloqueou o Twitter em todos os provedores do país, como confirmou o próprio microblog. No entanto, manifestantes burlaram a medida, enviando mensagens ao site via SMS ou outros aplicativos. Muitos deles usavam a hashtag (símbolo) #25J, em alusão ao dia da revolta, feriado nacional pelo dia do policial.

Reações

O governo da França lamentou publicamente as mortes e afastou a hipótese de ingerências nos assuntos interno do Egito. "Não se trata para a França de ingerência, mas nossos princípios são princípios do Estado de direito, de não interferência, mas também de pedidos para que sempre exista mais democracia e mais liberdade em todos os Estados", afirmou a ministra das Relações Exteriores, Michèle Alliot-Marie, antes de destacar que a política francesa defende "mais democracia em todos os Estados".

"Só posso lamentar que tenham acontecido mortes, duas entre os manifestantes e uma entre os policiais", disse a ministra.

"Se deve poder manifestar sem que por isso exista violência, e ainda menos mortos", completou.

Já o vice-premier israelense, Sylvan Shalom, disse ter a esperança de que os distúrbios no Egito não influenciem as relações com Israel.

"Todos esperamos que as autoridades egípcias saibam estabelecer a liberdade e os direitos a seus cidadãos, seguindo pelo bom caminho e mantendo as boas relações estabelecidas com Israel há mais de 30 anos", afirmou Shalom à rádio pública.

O Egito foi o primeiro país árabe a assinar um acordo de paz com Israel, em 1979.

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