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Processo em Paris julga responsáveis por desaparecidos franco-chilenos

por Gianni Carta publicado 10/12/2010 09h26, última modificação 25/10/2011 11h53
Acusações incluem rapto, tortura e atos bárbaros perpetrados contra os quatro cidadãos franceses desaparecidos entre 1973, data do golpe que depôs Salvador Allende, a 1975

Acusações incluem rapto, tortura e atos bárbaros perpetrados contra os quatro cidadãos franceses desaparecidos entre 1973, data do golpe que depôs Salvador Allende, a 1975
O processo para julgar 14 oficiais responsáveis pela eliminação de quatro militantes franco-chilenos sob a junta militar do ditador Augusto Pinochet teve início nesta quarta-feira 8, no Palácio de Justiça de Paris. Em coletiva para a imprensa, William Bourdon, um dos advogados das famílias de franceses ou franco-chilenos desaparecidos disse que o processo numa corte francesa é “essencial para a memória da história’’. O veredicto será dado no dia 17 deste mês.
As acusações incluem rapto, tortura e atos bárbaros perpetrados contra os quatro cidadãos franceses desaparecidos entre 1973, data do golpe que depôs Salvador Allende, a 1975. Os 14 acusados (entre eles um argentino), contudo, não reconhecem a jurisdição e competência dos tribunais franceses nesse caso. Serão, portanto, julgados in absentia.  Em razão da ausência de acusados, a corte não contará com um júri popular, mas com três magistrados profissionais.  De qualquer forma, o processo terá efeito similar àqueles de uma audiência regular.
Entre os franco-chilenos executados consta Georges Klein. Médico psiquiatra de 28 anos, Klein era conselheiro político de Allende. Filho de judeus, o pai austríaco e a mãe romena, Klein nasceu na França. Após o golpe contra Allende, foi torturado e executado. Outros desaparecidos, presos entre setembro de 1973 e novembro de 1975, foram o padre Etienne Pesle, e dois militantes do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), Alphonse Chanfreau e Jean-Yves Claudet.
A maioria dos acusados são oficiais militares. É o caso do general aposentado Raul Eduardo Neumann, ex-integrante da sinistra Dirección de Inteligencia Nacional (Dina), os serviços secretos de Pinochet.  Dos 19 iniciais responsáveis pelo desaparecimento dos franco-chilenos, cinco morreram de velhice devido à lentidão do processo. Um deles foi o próprio Pinochet, falecido em 2006. Outro responde por Paul Schaeffer, ex-militar nazista refugiado no Chile após a Segunda Guerra Mundial.
Durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), três mil pessoas desapareceram ou morreram, e 30 mil foram torturadas. Como diz o advogado Bourdon, o atual processo poderá jogar luz sobre esse período trágico da história da América Latina.

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