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Processo de barbárie

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 12/01/2011 15h00, última modificação 14/01/2011 15h00
A retórica do ódio incita à violência real e reverte o processo civilizador descrito por Norbert Elias, como se viu na Alemanha da República de Weimar

A retórica do ódio incita à violência real e reverte o processo civilizador descrito por Norbert Elias, como se viu na Alemanha da República de Weimar

Gabrielle Giffords é uma deputada democrata moderada, quase conservadora (blue dog, na gíria política dos EUA), a ponto de defender a liberdade do porte de armas como “tradição do Arizona”. Ainda assim, foi favorável à reforma da Saúde do governo Barack Obama. Por isso e por ter sua base em um distrito tipicamente conservador do Arizona, que pareceria ser fácil virar a favor do Partido Republicano, foi um alvo preferencial do Tea Party nos últimos anos.

Alvo no sentido literal da palavra. Para a eleição do ano passado, a propaganda de seu rival apelou: “Acerte no alvo da vitória em novembro, ajude a remover Gabrielle Giffords do cargo disparando uma automática M16 com Jesse Kelly”. Esse candidato, derrotado por uma margem estreita (4 mil votos), ecoava a presidenciável Sarah Palin, que colocou Gabrielle, juntamente com mais 19 deputados democratas a favor da reforma da Saúde, literalmente na alça de mira do seu mapa de inimigos políticos a serem eliminados, publicado no Facebook.

Em 8 de janeiro, um encontro de Gabrielle com eleitores no pátio de um supermercado de Tucson foi atacado por Jared Loughner, jovem de 22 anos recusado pelo Exército e suspenso da universidade por evidente instabilidade emocional. Não teve, porém, dificuldades em adquirir armas automáticas e munição. Das 20 ou 30 pessoas presentes, 14 foram feridas, inclusive a deputada, e seis mortas, entre elas o juiz federal John Roll e uma menina nascida no fatídico 11 de setembro de 2001. A carnificina só não foi maior porque, ao trocar o pente de munição, Jared deixou este cair sendo apanhado por uma senhora de 61 anos, enquanto dois idosos (um deles ferido) e um jovem imobilizavam o criminoso.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 629, já nas bancas.

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