Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Prisão do diretor do Fundo Monetário Internacional muda cenário político francês

Internacional

Escândalo

Prisão do diretor do Fundo Monetário Internacional muda cenário político francês

por Redação Carta Capital — publicado 16/05/2011 14h38, última modificação 16/05/2011 14h54
A acusação de abuso sexual contra Dominique Strauss-Kahn dá novo fôlego a reeleição de Nicolas Sarkozy e traz incertezas aos pacotes de ajuda a países europeus

A audiência para a apresentação formal das acusações contra o diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), o francês Dominique Strauss-Kahn, foi adiada para esta segunda-feira 16. A presença de Kahn diante de um juiz estava prevista para o último domingo 15, mas a polícia de Nova York quis realizar mais exames para ver se há sinais de lesão corporal que indiquem luta ou traços de DNA da camareira de 32 anos, a suposta vítima.

Os advogados de Strauss-Kahn, William Taylor e Benjamin Brafman, afirmaram que seu cliente havia concordado em submeter-se aos exames forenses. Eles também adiantaram que Strauss-Kahn se declarará “inocente” diante das acusações.

Na tarde do sábado 14, o diretor do FMI foi detido na primeira classe de um voo da Air France com destino a Paris por oficiais da Polícia Aeroportuária dos Estados Unidos. Horas antes, uma camareira de um hotel de luxo em Nova York, no qual Strauss-Kahn estava hospedado, informou à polícia que ela havia sido vítima de uma tentativa de estupro, agressão sexual e cárcere privado pelo francês. Ela teria entrado na suíte do hotel sem dar-se conta de que havia alguém tomando banho. Strauss-Kahn teria deixado o banheiro nu e tentado estuprar a camareira, que teria conseguido escapar e comunicado outros funcionários do hotel, que acionaram a polícia. Antes da chegada das autoridades, Strauss Kahn deixou o hotel “apressadamente”, tendo esquecido objetos pessoais e o celular, relatam os funcionários.

Presidenciais e resgate financeiro
Na audiência desta segunda-feira, a juiza Melissa Jackson negou a liberdade sob fiança do francês. "O caso só começou. Provaremos a inocência de Strauss-Kahn. Vamos apelar da decisão e Strauss-Kahn terá oportunidade de limpar seu nome", disse o advogado Benjamin Brafman.  A pena por tentativa de estupro no estado de Nova York pode chegar a 20 anos de cárcere.

A detenção de Strauss-Kahn reflete diretamente nas projeções para as eleições presidenciais francesas, que acontecem em 2012. Ele liderava as listas de possíveis candidatos do Partido Socialista e também estava a frente nas pesquisas entre os presidenciáveis. Com o recente escândalo, aumentam as chances do atual presidente, Nicolas Sarkozy, conseguir a reeleição. Numa pesquisa do instituto Ifop, o diretor do FMI aparecia com 27% da preferência, contra 20% do atual presidente e 19% de Marie Le Pen, líder do partido de extrema-direita Frente Nacional. Desse modo, Strauss-Kahn representava para os socialistas o sonho de retornar ao Palácio do Eliseu 30 anos após a primeira vitória de François Mitterrand.

Ao jornal inglês The Guardian, o deputado pelo Partido Socialista Jean-Marie Le Guen classificou de “não críveis” e inconsistentes com o caráter do colega as acusações. “Sedução, sim, mas ele jamais usaria violência. Certa parte dos fatos, e alguns aspectos da história que ouvimos pela imprensa fazem disso algo não crível”. Os socialistas devem realizar uma reunião de emergência nesta terça-feira 17 para debater a melhor forma de lidar com a crise.

Do lado da extrema-direita, Marine Le Pen disse à emissora de tevê i-Tele que o escândalo marca o fim das pretensões políticas do diretor do FMI. “O caso e as acusações marcam o fim de sua campanha e pré-campanha para a presidência e irão provavelmente levar o FMI a pedir que ele deixe o posto”, declarou a política.

O FMI, por sua vez, emitiu um comunicado no domingo 15 no qual afirmou que seguia a “pleno funcionamento”. O número dois do fundo, John Lipsky, assumiu provisoriamente o comando. O The Wall Street Journal destacou que a prisão de Strauss Kahn pode ter impacto no debate sobre os resgates financeiros dados a países europeus. “Estava prevista a sua participação em eventos-chave durante a semana com ministros de finanças da Europa para dar os retoques finais ao pacote de ajuda à Portugal, além de avaliar opções para diminuir a deterioração das finanças gregas”, diz o jornal.

registrado em: