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Diplomacia ou confusão?

Príncipe Harry vem ao Brasil, e argentinos se armam

por Gianni Carta publicado 06/03/2012 17h21, última modificação 06/03/2012 17h21
Em sua primeira visita oficial ao Brasil, britânicos temem gafes. Não seria recomendável, por exemplo, jogar rugby na favela
harry

AFP/Arquivo / Carl De Souza

O príncipe Harry vem ao Brasil na sexta-feira para promover a campanha GREAT. Entre outras atividades, o terceiro na ordem da sucessão na monarquia britânica visitará uma favela carioca – não se sabe qual, por questões de segurança, e é compreensível.

A campanha GREAT será lançada na sexta à noite das alturas do Pão de Açúcar. Visa atrair investimentos para os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. A campanha também comemora o jubileu da rainha Elizabeth II.

Mas quem, no Brasil, está interessado em celebrar os sessenta anos de Elizabeth no trono?

Não sejamos ingênuos. Harry veio solidificar os elos comerciais entre a Grã-Bretanha e o Brasil. E o momento, aliás, é mais que oportuno: o Brasil não ultrapassou o Reino Unido ao tornar-se a sexta economia do mundo?

Foi por isso que William Hague, o ministro britânico do Exterior, esteve, em janeiro, no Rio. Ao lado do governador Sergio Cabral, Hague disse: “Nós estamos decididos a reforçar nossos elos políticos, culturais e econômicos, e é com isso em mente que visito o Brasil – minha primeira visita à América Latina como ministro do Exterior”.

Em seguida, Hague anunciou a visita de Harry para promover a campanha GREAT, em março.

Claro, as fãs do príncipe solteiro de 27 anos se interessam muito pela rainha. Na viagem de dez dias de Harry já passou por Belize, Bahamas, e atualmente está na Jamaica. A Miss Bahamas, Anastagia Pierre, de 23 anos, disse: “Fiquei apaixonada por Harry e me casaria com ele”.

Mas há os menos apaixonados.

Um responde por Oswaldo Sicardi, presidente do Clube Argentino do Rio de Janeiro. Sicardi disse ao diário britânico Daily Mail que julga uma afronta a visita de Harry ao Rio semanas antes do trigésimo aniversário do início da “Falklands War”, ou melhor, Guerra das Malvinas.

Para Sicardi, tudo bem se o príncipe vem ao Brasil para comemorar o jubileu da avó, promover sua instituição de caridade e os elos comerciais entre a Grã-Bretanha e o Brasil.

Mas o motivo-mor da visita, martelou Sicardi para o Daily Mail, “é mudar a posição do Brasil em relação às Malvinas”.

Será?

O website de CartaCapital procurou Sicardi, mas em vão.

De qualquer forma, Sicardi avisou o Daily Mail que vai criar “confusão” para o Harry. No entanto, seu clube de argentinos representa umas sessenta famílias, e CartaCapital não prevê grandes tumultos.

Como dito acima, a agenda do príncipe é uma incógnita. Sabemos, porém, que na manhã de sábado ele participará de eventos esportivos no aterro do Flamengo: uma corrida, partidas de rugby e de vôlei e praia. Chamam atenção as partidas de rugby, esporte pouco difundido no Brasil. Vamos torcer para Harry não organizar uma partida de rugby na favela.

É isso que teme governo britânico: as gafes de seu príncipe. Esta, afinal, é a primeira viagem oficial solo de Harry. E consta que ele estenderá sua visita ao Brasil até dia 14.

Assim como em boates londrinas, parece que ele exagerou no rum numa noitada caribenha. É nessas ocasiões que ele costuma trocar socos com os paparazzi. E desde adolescente o jovem parece apegado a brincadeiras e piadas racistas.

Quem não se lembra daquela festa em que ele se vestiu como nazista? E em 2009, quando repetiu o teste para se tornar piloto de helicóptero, Harry, já com 25 anos, não foi punido pelos seus comentários racistas?

No Rio, contudo, Cabral o receberá com grande pompa. Príncipe é príncipe.

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