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Japão forma novo governo e faz aceno à China

por AFP — publicado 01/10/2012 10h11, última modificação 01/10/2012 11h07
Yoshihiko Noda fez modificações em seu gabinete e incluiu uma ministra capaz de reduzir as tensões com o governo chinês
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O primeiro-ministro do Japão, Yoshihiko Noda, tenta superar a crise com a China. Foto: ©AFP / Kazuhiro Nogi

TÓQUIO (AFP) - O primeiro-ministro do Japão, Yoshihiko Noda, anunciou uma ampla reforma do governo antes das eleições legislativas antecipadas, com a nomeação de uma ministra bem relacionada com a China, em pleno conflito diplomático com a China.

O novo gabinete tem dez novos membros, de um total de 18, incluindo um novo ministro das Finanças. Noda espera assim melhorar sua imagem, no momento em que as pesquisas são desfavoráveis ao governo, após a aprovação de uma lei que elevou um imposto sobre o consumo, três anos depois da chegada ao poder do Partido Democrata do Japão (DPJ, na sigla em inglês). Para obter a aprovação do polêmico projeto, Noda prometeu à oposição de direita convocar eleições legislativas antecipadas "em um futuro próximo".

Em um período conturbado pelo conflito diplomático com a China sobre a soberania de um grupo de ilhas no Mar da China Oriental, o ministro das Relações Exteriores, Koichiro Gemba, e o da Defesa, Satoshi Morimoto, conservaram os cargos. Noda, entretanto, incluiu no novo gabinete uma personalidade que tem boa imagem na China, Makiko Tanaka. A imprensa japonesa apresentou a decisão como um gesto de boa vontade com Pequim, mas o primeiro-ministro negou qualquer vínculo com a crise diplomática. "Não a escolhi como ministra das Relações Exteriores", disse o premier.

Ministra das Relações Exteriores por um curto período (2001-2002) durante o governo do primeiro-ministro de direita Junichiro Koizumi, Tanaka foi nomeada para a pasta da Educação, que não tem nenhum papel diplomático oficial, mas sua presença no governo tem um caráter eminentemente simbólico, segundo a imprensa.

A nova ministra da Educação é filha do ex-premier Kakuei Tanaka, que conduziu o Japão a uma normalização dos vínculos com a China há 40 anos e que continua gozando de uma imagem positiva em Pequim. "A nomeação constitui uma clara indicação e uma mensagem para a China", explicou Takehiko Yamamoto, professor de Relações Internacionais da Universidade de Waseda. "A China a considera uma personalidade muito importante. Como ministra da Educação, controlará os intercâmbios culturais China-Japão e poderá trabalhar para revitalizar as relações entre os dois países", completou.

Também foi anunciada uma mudança importante no ministério das Finanças. Jun Azumi deixou a pasta e ficará com o cargo de secretário-geral do DPJ, uma responsabilidade crucial no momento em que o governo se prepara para eleições em uma posição difícil. Azumi foi substituído por Koriki Jojima, um deputado pouco conhecido pela opinião pública, que atuou nos bastidores para a aprovação do aumento do imposto sobre o consumo.

A nomeação foi uma surpresa porque a imprensa havia especulado na semana passada o nome do experiente Katsuya Okada, atual vice-premier, para assumir as Finanças. O ministro das Finanças terá como tarefa imediata organizar as assembleias gerais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, previstas para o próximo fim de semana em Tóquio.

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