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Oriente Médio

Primavera bravia

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 03/03/2011 09h34, última modificação 04/03/2011 12h56
O impasse na Líbia desperta o intervencionismo dos EUA, que pode ser desastroso

O impasse na Líbia desperta o intervencionismo dos EUA, que pode ser desastroso

Enquanto Kaddafi resistia em Trípoli na busca de um acordo com os rebeldes de Bengazi – tão improvável quanto o pacto antissoviético com o Ocidente com o qual Hitler sonhava em seus últimos dias – acusava mais ou menos por igual o imperialismo ocidental e o fundamentalismo islâmico pela inesperada rebelião. Mas nesta crise do Oriente Médio tanto a Al-Qaeda quanto a CIA parecem mais perdidos do que cachorro em dia de mudança.

Uns e outros lutam por obter algum crédito pelos acontecimentos que foram igualmente incapazes de prever, assim como por influenciar a nova ordem. No médio prazo, pode até ser que venham a ter algum sucesso, mas, no calor dos acontecimentos, tanto os apelos de Hillary Clinton pela renúncia de líderes árabes quanto os comunicados de líderes fundamentalistas sunitas e xiitas que exortam o povo a derrubá-los fazem pensar em antigos sacerdotes tentando convencer os fiéis de que a primavera retorna graças às suas orações.

Não é que líderes apoiados pelo Ocidente ou pelo clero fundamentalista não tentem se fazer ouvir, mas os movimentos populares, até agora, seguem pautas próprias Na Tunísia, o Ocidente torceu pela estabilização, mas as manifestações populares continuaram e derrubaram o primeiro-ministro interino, juntamente com outros ministros herdados de Ben Ali. O Egito pode caminhar na mesma direção, por mais que tanto os EUA e União Europeia quanto a Fraternidade Muçulmana queiram respaldar o governo militar interino. Na Líbia, os rebeldes falam como seculares, mas ao mesmo tempo rejeitam a intervenção do Ocidente em sua guerra civil. No Iêmen (como em outros países), não se veem retratos de Bin Laden ou do aiatolá Ali Khamenei nas manifestações. Muito menos deBarack Obama ou de Mark Zuckerberg, apesar de tanto alarde sobre a “revolução do Facebook”: quando muito, se veem aqui e ali uma boina ou um pôster de Che Guevara, revelando saudades de 1968.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 636, já nas bancas.

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