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Escândalo sexual

Preso e sob pressão, Strauss-Kahn renuncia

por Redação Carta Capital — publicado 19/05/2011 09h36, última modificação 06/06/2015 18h16
A derrocada do ex-diretor do FMI muda o cenário para as eleições na França e antecipa discussões sobre a composição do fundo monetário. Várias autoridades, entre elas o secretário do Tesouro dos EUA, pediram a sua saída

Durou menos de uma semana o esforço do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, de permanecer no cargo após a suspeita de cometer abuso sexual ao tentar estuprar uma camareira de hotel. Na noite de quinta-feira 18, o chefe do fundo, que está preso desde o fim de semana em Nova York, não suportou a pressão e renunciou. A saída de Strauss-Kahn era pedida por inúmeras autoridades internacionais, entre elas o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner.

Foi com “com infinita tristeza”, e alegando inocência, que o todo Strauss-Kahn, de 62 anos, disse ter deixado o posto, conforme comunicado divulgado pelo FMI.

Foi com “com infinita tristeza”, e alegando inocência, que o todo Strauss-Kahn, de 62 anos, disse ter deixado o posto, conforme comunicado divulgado pelo FMI.

“Neste momento penso primeiro em minha mulher – a quem amo mais do que qualquer coisa –, em meus filhos, em minha família, em meus amigos. Também penso em meus colegas no Fundo; juntos, alcançamos tantas coisas grandes nos últimos três anos”, disse.

Strauss-Kahn está detido na Prisão de Rikers Island, em Nova York, e deve fazer um novo pedido de liberdade sob fiança ainda nesta quinta-feira 19. No começo desta semana, a Justiça de Nova York negou um pedido de fiança, no valor de US$ 1 milhão, alegando que ele poderia fugir dos Estados Unidos para a França, seu país de origem.

Mudanças de planos

A derrocada do então homem-forte do FMI muda, a partir de agora, o cenário para as eleições presidenciais na França e antecipa as discussões sobre a composição do fundo monetário. Antes da crise envolvendo Strauss-Kahn, analistas internacionais pediam que o órgão abrisse espaço em sua direção para autoridades de países emergentes, como Brasil e China.

O assunto, que só seria levantado no ano que vem, quando Strauss-Kahn pretendia se candidatar à presidência da França, acabou ganhando força nos últimos dias.

Em seis décadas de existência do órgão, os 10 ocupantes do cargo vieram de países europeus, num acordo com os Estados Unidos que dá a um norte-americano a presidência do Banco Mundial.

O atual vice-diretor-geral do órgão, o americano John Lipsky, vem exercendo o cargo interinamente desde a prisão de Strauss-Kahn. A relação de potenciais candidatos inclui a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, e o ex-primeiro-ministro da Grã-Bretanha Gordon Brown.

Dos países emergentes, querem concorrer ao cargo o ex-ministro da Economia da Turquia Kemal Dervis, o presidente do Banco Central do México, Agustín Carstens, e o ex ministro das Finanças da África do Sul Trevor Manuel.

, disse que são esperadas mudanças nas esferas de poder do fundo para dar espaço aos países emergentes, principalmente a China. Entretanto, o economista não acredita que essa mudança ocorra já na escolha do sucessor de Strauss-Kahn.

Após reafirmar que nega “com a maior firmeza possível” as acusações contra ele, Strauss-Kahn disse querer proteger o FMI e dedicar toda a força e energia em provar sua inocência. O FMI afirmou que informará “no futuro próximo” sobre o processo de seleção de um novo diretor-geral.

*Com informações da Agência Brasil

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