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Presidente do Sudão diz aceitar separação do Sul

por Redação Carta Capital — publicado 08/02/2011 17h08, última modificação 08/02/2011 17h08
Quase a totalidade dos votantes decidiu pela secessão da região, que deve acontecer oficialmente em 9 de julho. Até lá, haverá negociações pela demarcação de fronteiras e pela divisão de recursos petrolíferos. Da Redação

Quase a totalidade dos votantes decidiu pela secessão da região, que deve acontecer oficialmente em 9 de julho. Até lá, haverá negociações pela demarcação de fronteiras e pela divisão de recursos petrolíferos

Conforme os dados oficias anunciados nesta segunda-feira 7, a grande maioria dos sudaneses do Sul (98,83%) que foram às urnas no referendo do dia 9 de janeiro votou pela secessão do Norte. Desse modo, será oficialmente criado o 54º país africano, no dia 9 de julho, data em que expira o tratado de paz que pôs fim a décadas de guerra civil, assinado em 2005.

O presidente do ainda unificado Sudão, Omar Hassan al-Bashir, há 18 anos no poder, disse após o anúncio do resultado que seu governo respeitará o referendo. “Hoje recebemos os resultados. Nós os aceitamos e os respeitamos porque representam a vontade do povo do Sul”, discursou o mandatário pela televisão. Junto a al-Bashir também estava o presidente da região do Sul, Salva Kiir, informa o The New York Times.

No total, mais de 3,8 milhões de pessoas participaram da votação, sendo que em muitas partes do futuro Sudão do Sul o “sim” à secessão foi superior a 99%. A criação do novo estado africano pode ser a conclusão de um processo de conflitos entre o Norte, majoritariamente muçulmano, e o Sul, católico e animista, iniciado pouco após a independência da Inglaterra, em 1955, e que se estendeu até a elaboração do tratado de paz assinado em 2005. Neste período, o país enfrentou duas guerras civis.

Com a separação, o Sudão deixará de ser o país com maior território no continente. O posto passará a ser da Argélia.

Até o dia 9 de julho, devem ocorrer as negociações para a demarcação de fronteiras e divisão dos recursos petrolíferos, abundantes no Sudão do Sul. Além do mais, ambos estados terão de negociar o futuro da região fronteiriça de Abyei, rica em água, e disputada por duas tribos. Segundo o jornal espanhol El País, é possível que a tribo miseriya, de origem árabe, receba compensações da comunidade internacional para aceitar que o território seja incorporado ao Sul.

De acordo com informações das Nações Unidas, mais de 140 mil sudaneses do Sul que viviam no Norte regressaram ao seu local de origem para viver no novo país. Cerca de duas mil pessoas chegam por dia à região Sul e estão sendo instaladas em estádios e nas proximidades dos portos. Muitos regressam, informa o El País, para fugir de possíveis represálias que possam acontecer contra essa população no Norte.

O medo é explicado pelos choques recentes entre soldados que integram as unidades militares da região fronteiriça, compostas por efetivos do Norte e do Sul desde o acordo de 2005. Na ocasião, houve 50 mortos.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, parabenizou o povo do Sudão do Sul e anunciou as intenções americanas de reconhecer a soberania do país independente em julho deste ano. Por fim, ele disse que a separação abre espaço para a melhora de relação entre os EUA e o Sudão, inclusive na possibilidade de rever a classificação do país como estado que patrocina o terrorismo.

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