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Presidente do Iêmen assina acordo de transferência de poder

por AFP — publicado 23/11/2011 15h32, última modificação 23/11/2011 15h39
Ali Abddulah Saleh e a oposição chegam a um acordo para acabar com dez meses de violência no país
iemen

O presidente iemenita, Ali Abddulah Saleh, assinou nesta quarta-feira 23 em Riad um acordo de transferência de poder em uma cerimônia acompanhada pelo rei da Arábia Saudita, Abdullah Ben Abdel Aziz. Foto: AFP

RIAD (AFP) - O presidente iemenita, Ali Abddulah Saleh, assinou nesta quarta-feira 23 em Riad um acordo de transferência de poder em uma cerimônia acompanhada pelo rei da Arábia Saudita, Abdullah Ben Abdel Aziz.

Saleh se recusava desde abril a assinar o plano das monarquias do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) para resolver a crise do país.

Uma transmissão ao vivo feita pela TV estatal saudita mostrou Saleh ao assinar o acordo no palácio real de Riad, assistido por membros da oposição iemenita, assim como pelo rei Abdullah e chanceleres do Golfo.

Representantes do partido governista e da oposição no Iêmen também assinaram o documento que tem como objetivo acabar com 10 meses de violência no país.

Pelo acordo, que Saleh hesitou em assinar por meses apesar da intensa pressão doméstica e internacional, o líder há 33 anos no poder entrega seus poderes ao vice-presidente Abdrabuh Mansur Hadi, em troca de imunidade para ele e sua família, permencendo por 90 dias como presidente honorário.

"Hoje, uma nova página da nossa história se inicia", disse o rei saudita às delegações iemenitas presentes durante a assinatura do acordo.

Saleh viajará a Nova York para receber tratamento médico, informou nesta quarta-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Ban afirmou que "a evolução positiva da situação no Iêmen é promissora" e que Saleh declarou em uma conversa por telefone que não renunciaria ao cargo de presidente, mas que iria aos Estados Unidos para receber tratamento médico.

Sucessor de Saleh: militar discreto será presidente consensual

Abdrabuh Mansur Hadi, que assumiu a presidência do Iêmen desde que Ali Abdullah Saleh assinou um plano de saída, é um general de perfil discreto, que emergiu como o homem do consenso durante a crise.

Segundo acordo apoiado pela ONU, o vice-presidente Hadi imediatamente assume a autoridade executiva, enquanto Saleh permanece como presidente honorário por 90 dias.

Durante o período interino, Saleh não está apto para fazer cumprir qualquer decisão política nem vetar nenhuma de Hadi.

A oposição também deve apresentar imediatamente um candidato para chefiar uma unidade nacional de governo a ser formada durante os 90 dias.

O novo governo elegeria então Hadi como o presidente consensual por dois anos, de acordo com fontes políticas.

Hadi, um major-general do sul, tem sido o vice-presidente de Saleh desde 1994 e é também o secretário-geral do partido no poder, o Congresso Geral do Povo (GPC). Mas ele nunca teve um papel principal na política do Iêmen.

Em junho, Hadi substituiu Saleh, conforme a Constituição, depois que o presidente de 69 anos ficou ferido em um ataque em seu complexo em Riad, e passou mais de três meses em tratamento no reino.

Nascido em 1º de maio de 1945, na vila de Dhakin, na província de Abyan, quando esta era um protetorado britânico, Hadi passou por treinamento militar no Reino Unido e no Egito. Sua cidade natal é atualmente um foco da atividade da Al-Qaeda.

Graduado na academia militar no antigo e independente Iêmen do Sul em 1964, ele permaneceu com seu perfil discreto e quase nada foi escrito sobre ele durante anos.

Era uma figura "low-profile" na luta pela liberdade do Iêmen do Sul que conquistou a independência em novembro de 1967. No entanto, ganhou importância em sua carreia militar na única nação marxista do mundo árabe, um Estado com laços próximos à ex-União Soviética durante a Guerra Fria.

Ele permaneceu leal ao presidente do Iêmen do Sul que foi forçado, em janeiro de 1986, a buscar proteção no vizinho Iêmen do Norte, um país que já era governado por Saleh, no poder desde 1978. A unificação do Iêmen foi proclamada no dia 22 de maio de 1990.

Os sulistas tentaram se separar em maio de 1994, provocando uma sangrenta guerra civil durante a qual Hadi estreitou os laços com os iemenitas do norte, para esmagar os separatistas. Durante a guerra civil, Hadi foi nomeado Ministro da Defesa.

Com a vitória sobre as forças do sul em outubro de 1994, ele foi promovido ao posto de vice-presidente e mantido até agora, apesar de uma série de crises políticas, sectárias e tribais.

Tem duas filhas e três filhos e é autor de muitos livros, incluindo um sobre a defesa militar de áreas montanhosas.

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