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Internacional

Disputa

Erdogan, atual premier, vence eleições presidenciais na Turquia

por Deutsche Welle publicado 10/08/2014 16h23, última modificação 11/08/2014 10h13
Apurações confirmam vitória do chefe de governo conservador, com cerca de 52% dos votos, na primeira eleição direta para presidente do país. Resultados oficiais serão divulgados na segunda-feira
ADEM ALTAN / AFP
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Partidários de Erdogan comemoram resultados preliminares que indicam vitória de premier

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, venceu a primeira eleição direta para presidente no país, como já se antecipava. No início da noite deste domingo 10, a apuração de 98% das cédulas lhe dava 52,1% dos votos válidos. Antes do resultado oficial, que só deverá ser divulgado na segunda-feira, o político conservador comentou que a nação turca "mostrou sua vontade".

Ainda segundo as projeções divulgadas, Ekmeleddin Ihsanoglu – candidato conjunto dos partidos Popular Republicano (CHP) e do Movimento Nacionalista (MHP) – teria 38,8% dos votos. Em terceiro lugar, o candidato curdo Selahattin Demirtas, do Partido Democrático dos Povos (HDP), obteve 9,1% dos votos.

"Nosso povo tomará uma decisão importante para a democracia turca", declarou Erdogan, depois de votar em Istambul, acompanhado da mulher e dos quatro filhos. Pelo menos 53 milhões de eleitores estavam registrados para participar da votação do domingo.

Reformas

O político conservador de 60 anos ocupa o cargo de primeiro-ministro desde 2003. As regras de seu partido, o Justiça e Desenvolvimento (AKP), o impediam de servir mais um mandato como premier. Antes, os presidentes turcos eram eleitos pelo Parlamento, mas uma emenda constitucional aprovada em 2007 mudou o procedimento para o voto popular.

Erdogan substitui o presidente Abdullah Gül, igualmente do AKP, por um mandato de cinco anos. Durante a campanha, ele prometeu renovar o cargo, antes considerado apenas cerimonial, com o objetivo de dispor de mais poderes executivos. Ele também prometeu ativar prerrogativas presidenciais raramente usadas pelos presidentes anteriores, como a de convocar o parlamento e de presidir sessões do gabinete.

Exortando os eleitores turcos, Erdogan sublinhou que "esta é uma decisão bastante significativa, na medida em que um presidente eleito, de mãos dadas com um governo eleito, liderará a Turquia em direção a 2023, de maneira determinada". A data é uma referência às celebrações do 100º aniversário de fundação do moderno Estado turco.

Para os ouvintes atentos, com essa declaração Recep Tayyip Erdogan já antecipa tacitamente sua reeleição para um segundo mandato, que lhe garantiria a permanência no poder até 2024. Críticos do muçulmano devoto o acusam de enfraquecer o legado secular do fundador da República da Turquia, Mustafá Kemal Atatürk, que estabeleceu uma separação estrita entre religião e política após criar o novo Estado.

 

  • Edição Augusto Valente