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Prazo maior para diminuir déficit não é saída para a Grécia, dizem analistas

por Gabriel Bonis publicado 13/11/2012 17h30, última modificação 06/06/2015 19h24
Medida anunciada nesta terça-feira apenas adia o problema. Uma nova reestruturação da dívida deveria ser negociada

Os ministros das Finanaças europeus concordaram nesta terça-feira 13 em prorrogar em dois anos, para 2016, o prazo dado à Grécia para a redução de seu déficit público (os gastos do governo no ano em relação ao que foi arrecadado) até a meta de 3% do PIB. A extensão do prazo, pedida pelo governo de Atenas e por seus credores, ampliará em 32,6 bilhões de euros os custos do resgate europeu à Grécia, que já soma 240 bilhões. Ainda assim, a novidade pode não ter os resultados esperados.

Em primeiro lugar, porque a ampliação do prazo pode provocar irritação em parlamentares. A liberação da próxima parcela de 31,5 bilhões de euros do resgate para a Grécia está adiada até 20 de novembro. Até lá, terá de ser aprovada por vários parlamentos nacionais, incluindo o da Alemanha. A contrapartida para a liberação da parcela são novas medidas de austeridade. Na última semana, a Grécia conseguiu aprovar, sob protestos de 10 mil pessoas em Atenas e com pequena margem no Congresso, novos cortes no orçamento de 2013, que afetam pensões e salários. Ainda assim, o resgate pode ser bloqueado. “A Grécia tem um longo histórico de não honrar tudo o que promete entregar. Conseguiu aprovar o orçamento e alterou a legislação, mas aplicá-la é um grande passo. Por isso, a pressão”, justifica o economista Antonio Carlos Alves dos Santos, professor da PUC-SP.

Além disso, a medida é vista como ineficiente por analistas, por apenas empurrar o problema para o futuro, aliviando momentaneamente a pressão nos mercados até que outra dificuldade surja. “A própria lógica do programa de resgate impede a Grécia de atingir as metas. Não há como fazer ajuste fiscal em uma situação de recessão, a experiência da América Latina com a crise dos anos 1980 mostrou isso”, afirma Daniela Magalhães Prates, economista e professora da Unicamp.

   

O aumento do prazo para a Grécia solucionar seu déficit se mistura a um debate sobre a necessidade de também dar mais tempo ao país para cortar a dívida pública, que ao final de 2013 chegará a 189,1% do PIB ou 346,2 bilhões de euros. Já o déficit, caiu 42% entre janeiro e outubro (de 21,1 bilhões para 13,2 bilhões de euros na comparação com o mesmo período do último ano), mas vai chegar ao final de 2012 em 6,7% do PIB, bem acima da meta.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Eurogrupo diferem sobre o calendário em que a dívida grega será sustentável, ou seja, alcançar 120% do PIB. "Há uma grande probabilidade de que estendamos a data até o ano 2022, dois anos a mais ao que foi estabelecido", disse o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, na segunda-feira 12. O FMI, por outro lado, alertou que não continuará no plano de resgate caso o prazo não seja mantido para 2020.

O melhor caminho, entretanto, seria uma nova redução da dívida , defendem analistas. Desta vez, no entanto, o perdão teria de ser feito por outros governos. “O problema é que neste setor a Alemanha detém fundamentalmente as dívidas gregas. O país vai enfrentar eleições em 2013 e como explicar aos seus eleitores que parte da ajuda fornecida à Grécia vai ser perdoada?”, questiona Santos, da PUC-SP.

A maior economia da Europa precisaria ceder, aceitando parte das perdas de países endividados, acredita Daniela Magalhães. "Uma opção para reequilibrar os custos salariais na região seria a Alemanha aumentar o seu salário mínimo para que os países deficitários possam manter os seus nos níveis atuais. Assim, seria possível uma 'desvalorização do euro grego'.” Com isso, a mão de obra e os preços do país ficariam mais atrativos para investimentos estrangeiros e comércio no bloco.

Segundo a Economist Intelligent Unit, o PIB grego deve encolher 7,1% este ano e mais 4,2% em 2013. O crescimento voltaria apenas em 2015 e a um índice menor que 1%. O nível de desemprego no país também vem piorando: em agosto, pelo 51º mês seguido, houve queda e o nível atingiu o recorde de 25,4%, mais que o dobro da média da Zona do Euro. Entre as pessoas com menos de 25 anos, o índice chegou a 58% de desocupação.

Com informações AFP.

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