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Povos latinoamericanos promovem ações contra os impactos da mineração

por Adital — publicado 27/04/2011 12h06, última modificação 27/04/2011 12h06
A atividade já causou a desaparição de mais de 15 mil hectares de flora e fauna na cidade de Ilo, contaminação de praias e do rio Torata, danos à saúde humana e à agricultura. Por Camila Queiroz

Por Camila Queiroz

Povos da Argentina, Chile, Colômbia e Peru se mobilizam, esta semana em defesa de seus direitos e contra os impactos negativos da mineração. As atividades compreendem paralisações, encontros e manifestações.

No Peru, o Comitê de Luta da Província de Angaraes realizará, no dia 28, uma paralisação de 24 horas na província, localizada no departamento de Huancavelica. A pauta exige a revogação da resolução de funcionamento da mineradora Pampamali e que a empresa saia do território da comunidade em 15 dias.

A população denuncia os sérios danos que as atividades mineiras causam ao meio ambiente, principalmente a contaminação de rios com ácidos. Outro problema é a criminalização dos militantes, por parte da mineradora, que já solicitou penas de até 20 anos para alguns ativistas.

Também no Peru, a Frente de Defesa dos Interesses do Povo de Moquegua (Fedip-M) realizará uma Mobilização Pacífica amanhã (27). O objetivo é defender a água e os bens naturais da região, prejudicados pela exploração da mina Cuajone, realizada há mais de 45 anos pela empresa Southern Peru Copper Corporation.

A atividade já causou a desaparição de mais de 15 mil hectares de flora e fauna na cidade de Ilo, contaminação de praias e do rio Torata, danos à saúde humana e à agricultura. Além disso, a Fedip-M quer barrar o Projeto Mineiro Quellavesco, pois, se posto em prática, matará o rio Asana Tumilaca.

A Rede Colombiana de enfrentamento à Grande Mineração Transnacional (Reclame) realizará, amanhã, em Bogotá, a Marcha dos Pequenos e Médios Mineiros. Para defender os territórios, as comunidades e os recursos naturais, rechaçando os projetos da grande mineração, a Reclame também promoverá encontros, marchas e jornadas em praticamente todas as semanas dos próximos dois meses.

Na província de Mendoza, na Argentina, a comunidade Huarpe Guaytamari, membro da Organização de Nações e Povos Indígenas na Argentina (Onpia), luta contra o projeto mineiro São Jorge, que contaminará as fontes de água do local.

No dia 21, em uma audiência na Câmara dos Deputados, a população denunciou que não houve consulta aos povos indígenas sobre o projeto, o que viola o Convênio 169 da OIT, do qual a Argentina é signatária e, inclusive, tem status constitucional no país.

Também no povoado argentino de Esquel, na Patagônia, os moradores organizam a resistência contra a mineração. Ontem à noite, eles realizaram uma assembleia e uma grande marcha, com cerca de 450 pessoas, em frente ao Hotel Tehuelche. As jornadas organizadas pela Federação Empresária Patagônica (Fepa), sobre mineração, que seriam realizadas nos próximos dias 28 e 29 foram canceladas.

Ainda assim a comunidade realizará uma manifestação no dia 28, pela tarde, em frente ao Hotel. Além disso, haverá, no dia quatro de maio, uma assembleia na praça San Martín, seguida de uma marcha pela cidade. A luta contra a mineração em Esquel é antiga: data de 2002.

Já em Neuquén, na Argentina, a comunidade Campana Mahuida comemora a decisão do Tribunal Superior de Justiça, que negou uma apelação do governo e convalidou a proibição da empresa mineira chinesa Cormine.

A mineradora havia realizado atividades de exploração mineira em território mapuche, nos anos de 2007 a 2009, quando Campana Mahuida conseguiu a primeira proibição. Agora, só falta uma sentença sobre a legalidade do contrato mineiro de Cormine, aprovado sem consulta aos mapuche.

Com informações de Coordenadora Andina de Organizações Indígenas (Caoi) e noalamina.org

*Matéria publicada em Adital

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