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Oriente Médio

Potências pedem que sírios aproveitem 'oportunidade histórica' para a paz

por AFP — publicado 22/01/2014 14h33
EUA e Rússia alertam que as negociações não serão simples nem rápidas
Arnd Wiegmann / AFP
John Kerry e Saud al-Faisal

John Kerry e Saud al-Faisal, ministro do Exterior da Arábia Saudita, durante encontro em Montreaux, na Suíça, nesta quarta-feira

Por Karim Talbi e Pierre Taillefer

As grande potências pediram nesta quarta-feira 22 que o regime sírio e a oposição aproveitem a "oportunidade histórica" que representa a Conferência de Genebra II para acabar com três anos de guerra civil. "Depois de quase três anos dolorosos de conflito e sofrimento na Síria, hoje é um dia de esperança", declarou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em seu discurso de abertura da conferência.

Diante dos representantes de 40 países e organizações internacionais, Ban considerou que, "confrontados com desafios enormes", todos podem contribuir para um novo começo. "Todos os sírios estão olhando para vocês, reunidos aqui hoje, vocês representantes da oposição e do governo sírio têm uma enorme oportunidade para acabar com seu sofrimento", insistiu.

As potências internacionais devem "fazer tudo o que estiver ao seu alcance para ajudá-los a alcançar esses objetivos", disse. Os chefes da diplomacia americana e russa, John Kerry e Serguei Lavrov, que lideraram os esforços para organizar a conferência, alertaram em seus discursos que as negociações entre o regime e a oposição "não serão simples, nem serão rápidas".

As negociações, sob mediação do emissário especial da ONU, devem começar sexta-feira em Genebra. Mas durante a abertura da conferência, Kerry e Lavrov também expuseram suas divergências quanto a formação de um governo de transição para a Síria.

"Bashar al-Assad não fará parte desse governo de transição. Não há nenhuma maneira, não é possível imaginar, que o homem que liderou esta resposta brutal contra seu próprio povo possa recuperar a legitimidade para governar", declarou Kerry.

Já Lavrov alertou para o risco "das tentativas de interpretar este documento de uma maneira ou de outra", em referência ao chamado para a formação de um governo de transição "por consenso mútuo" adotado em 2012 pelas grandes potências, sem a presença dos sírios, durante a Conferência de Genebra I.

Adotando uma atitude de desconfiança, o ministro das Relações Exteriores sírio Walid Muallem chamou os representantes da oposição de "traidores" e "agentes a mando dos inimigos" da Síria.

"Eles pretendem representar o povo sírio", declarou Muallem. "Se vocês querem falar em nome dos sírios, vocês não devem ser traidores do povo sírio, agentes a soldo dos inimigos do povo sírio", acrescentou para a delegação da oposição reunida logo a sua frente. "Senhor Kerry, ninguém no mundo tem o direito de conceder ou retirar a legitimidade de um presidente, de uma Constituição ou de uma lei, exceto os próprios sírios", declarou o chanceler Walid Muallem na abertura da conferência de paz.

Ele foi interrompido em sua longa defesa da política do regime de Assad por Ban, que objetou que ele excedeu em muito o seu tempo. Muallem respondeu dizendo que tinha o direito de expressar a posição de seu país e continuou seu discurso, com Ban Ki-moon lamentando sua atitude. Já o chefe da Coalizão de oposição síria, Ahmad Jarba, fez um apelo ao presidente sírio Bashar al-Assad para que entregue seu poder a um governo de transição.

"Peço (para a delegação do regime) que assine imediatamente o documento de Genebra I (que prevê) a transferência das prerrogativas de Assad, incluindo as do Exército e da segurança, a um governo de transição", afirmou Jarba.

Resumindo o estado de espírito de muitos participantes na conferência, o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, considerou que ninguém deve esperar por um "milagre". Ainda assim, a reunião de Montreux certamente deve ajudar a preparar a reunião de sexta-feira na ONU, em Genebra, envolvendo apenas as duas delegações sírias e o enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Lakhdar Brahimi.

Este deve ser o início de um processo longo, de sete a dez dias de uma primeira etapa, de acordo com um membro da delegação russa, citado pela agência de notícias Interfax.

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