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Por que tanto apoio a Kaddafi?

por Gianni Carta publicado 30/08/2011 17h16, última modificação 31/08/2011 09h32
A Argélia acolhe familiares do ditador e países africanos seguem do seu lado. Mas Líbia já tem um conselho de transição

Não surpreende o fato de a Argélia acolher a mulher e os três filhos de Muammar Kaddafi. Assim como o ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, o mais vocal de todos os líderes africanos a defender o coronel líbio, outros homólogos do mesmo continente e um punhado de latino-americanos compartilham no mínimo posições oficiais cautelosas em relação ao deposto raís. Os motivos para essa aparente solidariedade são vários. De saída, existe a questão geopolítica.

Os governos africanos temem uma desestabilização da região. Todos condenam em uníssono os ataques da Otan contra a Líbia. À exceção do Senegal e da Gâmbia, os países restantes do continente africano não reconheceram o Conselho Nacional de Transição (CNT). Isso se deve ao fato de o CNT, que formará um novo governo na Líbia, ser um saco de gatos. Do Conselho fariam parte, inclusive, integrantes de grupos fundamentalistas, alguns deles com ligações com a Al-Qaeda. E a própria União Africana (UA), a qual conta entre seus fundadores e maiores financiadores Kaddafi, não reconheceu o CNT. Por sua vez, França, Reino Unido e mais 32 países receberam de braços abertos o Conselho.

Kaddafi, é importante lembrar, também foi um dos primeiros líderes a apoiar Nelson Mandela na sua luta contra o regime do Apartheid. O Congresso Nacional Africano (CNA), hoje sob o comando do presidente Jacob Zuma, tem, portanto, uma dívida histórica com Kaddafi.

Existem, ainda, motivos econômicos para esse apoio a Kaddafi. Os petrodólares do raís, afinal, financiaram numerosos projetos África afora.

Por sua vez, Hugo Chávez, o presidente venezuelano, e Fidel Castro, o ex-presidente cubano, defendem Kaddafi movidos por um sentimento de antiamericanismo. Chávez, parece, tem, de fato, grande admiração pelo excêntrico Kaddafi.

Certo é que o regime de Argel não pode alegar proteção aos familiares de Kaddafi por motivos “humanitários”. Em 1992, ao anular um pleito geral que havia dado vitória a militantes islamitas, os militares deram início a uma guerra civil: 150 mil pessoas foram massacradas.

Em janeiro de 2011, protestos contra o alto nível de desemprego deixaram dois civis mortos em lutas contra os serviços de segurança. Apesar de a Argélia ser rica em petróleo, a pobreza permeia o país e tem grande potencial para mobilizar o povo contra o regime de Abdelaziz Bouteflika. E, como parece estar acontecendo em outros países do norte da África, grupos fundamentalistas estão se aproveitando da situação.

Em breve, contudo, esses países africanos terão de lidar com o novo governo líbio que será formado pelo Conselho Nacional de Transição.

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