Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Ponto de chegada

Internacional

Capital arqueológica

Ponto de chegada

por Rota Inca — publicado 29/07/2010 14h38, última modificação 11/08/2010 14h49
Do Sul Equatoriano a Machu Picchu no Peru

Do Sul Equatoriano a Machu Picchu no Peru
A Rota Inca 2009 chegou ao seu destino final: a província de Cañar, considerada a capital arqueológica e cultural do Equador. A viagem terminou dia 12 de agosto no Complexo de Ingapirca, principal sítio histórico do país, onde se encontram vestígios incas e da cultura nativa cañari. A expedição desse ano se nomeou “Rumo ao Santuário do Jovem Poderoso”, em referencia ao significado do nome em quéchua do Inca Huayna Cápac, responsável pela expansão do império em muitas regiões do Equador.

O Santuário de Ingapirca foi onde começou a Rota Inca 2008, que percorreu o sul do Equador e grande parte do Peru até chegar a Machu Picchu. Devido ao sucesso passagem da expedição, a prefeitura local decidiu apoiar novamente o evento para esse ano, que começou no sul da Colômbia. O coordenador do evento Rubén La Torre conta que esse patrocínio foi fundamental para ocorrer o evento esse ano, que não estava previsto devido ao tamanho da Rota em 2010, comemorativa dos dez anos da primeira edição, que percorrerá dez países da América do Sul e Central.

Logo na chegada a Cañar, os expedicionários foram recebidos pro uma cerimônia espiritual tipicamente andina para abençoar o caminho dos viajantes. . A Yachac (sábia) Mercedes Chuma explica que a cerimônia é realizada com produtos da região e representa os quatro elementos da natureza: terra, fogo, água e ar. “Espero que os expedicionários possam aprender e seguir o caminho espiritual de nossos ancestrais cañares”, afirma a sábia.

Seguiram visitas a museus onde puderam conhecer melhor a história da cultura milenar local cañari e da chegada dos Incas na região. Segundo a responsável pela organização por parte da prefeitura de Cañar, Laura Morejón, a programação foi realizada num sistema de contribuições solidárias tipicamente andino: a chamada minga. Assim, diferentes comunidades do local foram convidadas a organizar voluntariamente atividades para receber os expedicionários, entre elas caminhadas, almoços coletivos, apresentações de danças e músicas típicas.

Outro momento importante foi a caminhada por parte do Qhapac Ñan, a importante rede vial inca que conectava os extremos do antigo império, desde Cuzco até Quito. O último dia foi coroado com a visita guiada ao Santuário de Ingapirca, na qual os jovens puderam conhecer sobre a arquitetura e modo de vida das civilizações cañari e inca, cujas culturas se fundiram no período posterior a conquista incaica e anterior a chegada dos espanhóis.

O encerramento oficial foi realizado no próprio santuário arqueológico com palestras sobre a cultura local. Ao longo do dia o clima era de despedida e troca de presentes entre abraços e lágrimas dos expedicionários. Depois de muitos dias de convivência chegou a hora de dizer adeus aos novos amigos de diferentes países. O jovem peruano César Valencia afirma que a convivência com os expedicionários foi o principal aprendizado ao relacionar-se, conviver, divergir e compartilhar opiniões e pontos de vista com pessoas de diferentes culturas.

“Aprendi, sobretudo, a valorizar as pessoas. Foram quarenta dias que estivemos juntos, criamos laços e ao mesmo tempo sabíamos que íamos nos separar e provavelmente a maioria não ia voltar a se ver na vida. Então, você aprende a valorizar cada instante com essas pessoas” diz a representante da Bolívia Sarah Tamayo. Os quarenta jovens deixaram de ser viajantes despreocupados para voltar a seus países com a responsabilidade de serem embaixadores da cultura indígena sul-americana.

registrado em: